A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) afirma que George Marques da Silva, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), compartilhou ao menos 10 publicações com a informação falsa de que o candidato pretende retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Segundo a representação apresentada pela campanha, as republicações ocorreram na sexta-feira (25) e fazem parte da disseminação de uma narrativa que, posteriormente, foi classificada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como “notoriamente inverídica”.
Campanha pede prisão e busca e apreensão
A defesa de Flávio Bolsonaro protocolou uma notícia-crime no Ministério Público Eleitoral, em Brasília, pedindo medidas cautelares contra o servidor da Secom.
Os advogados solicitam a decretação da prisão preventiva, além de busca e apreensão e da preservação de conteúdos publicados e eventualmente apagados do perfil de George Marques na rede social X.
Na ação, a campanha atribui ao servidor três possíveis crimes:
- divulgação de fatos sabidamente inverídicos durante o período eleitoral;
- incitação ao crime;
- associação criminosa.
O pedido ainda será analisado pela Justiça Eleitoral.
Defesa cita mais de 2 mil publicações
De acordo com a representação, o monitoramento da campanha identificou:
- 2.086 publicações relacionadas ao boato;
- 1.674 contas envolvidas na disseminação;
- mais de 21 milhões de visualizações;
- conteúdos distribuídos no X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube.
A defesa anexou ao processo uma ata notarial digital registrando republicações feitas pelo servidor ao longo do mesmo dia. A campanha afirma que George Marques compartilhou mensagens que incentivavam a continuidade da circulação da informação falsa.
Origem do boato
A narrativa fazia referência a um Projeto de Lei de 2007, apresentado pelo então deputado federal Victório Galli, que pretendia alterar a redação da lei que reconhece Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.
O projeto foi rejeitado e arquivado pela Câmara dos Deputados em 2008, anos antes de Flávio Bolsonaro exercer mandato no Congresso Nacional.
Após a circulação do conteúdo nas redes sociais e em programas de televisão, a GloboNews corrigiu a informação e pediu desculpas.
TSE determinou remoção dos conteúdos
O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou a remoção de publicações que afirmavam que Flávio Bolsonaro ou integrantes de sua família defendiam retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
A decisão também alcançou conteúdos publicados em diferentes plataformas digitais que reproduziam a mesma narrativa.
George Marques diz que repost foi um erro
Questionado sobre o caso, George Marques afirmou que mantém um perfil pessoal voltado para “política e humor”.
Segundo ele:
- não se lembra de ter republicado o conteúdo;
- caso tenha ocorrido, foi um “erro involuntário” ao compartilhar postagens em sequência;
- republicar uma mensagem não significa concordar com seu conteúdo.
Secom afirma que postagem foi em perfil pessoal
Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República informou que a publicação foi feita em um perfil pessoal e não representa a posição institucional do órgão.
A Secom também declarou considerar inadequado o uso de perfis pessoais por integrantes da secretaria quando isso puder gerar confusão com manifestações oficiais do governo.
Em outra manifestação, a secretaria afirmou que o pedido de prisão apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro é “injusto e arbitrário” e ressaltou que o conteúdo foi publicado fora do horário de expediente e por meio de equipamento particular.
Flávio diz que história foi criada durante a campanha
Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio Bolsonaro negou qualquer proposta relacionada ao título de Nossa Senhora Aparecida, afirmou respeitar todas as manifestações religiosas e disse que a história foi criada por adversários durante a campanha eleitoral.
A notícia-crime segue sob análise do Ministério Público Eleitoral.
