Os caminhos de Wissam Maarouf, homem apontado como ligado ao grupo Houthis, do Iêmen, e da startup brasileira eesier se cruzaram em setembro do ano passado, quando ele utilizou um assistente de inteligência artificial da empresa para realizar buscas sobre informações militares.
Segundo a empresa, o principal interesse do usuário era obter dados sobre acontecimentos na região do Mar Vermelho, onde os Houthis intensificavam ataques contra embarcações naquele período.
Ferramenta funcionava pelo WhatsApp
A eesier oferece um assistente de IA integrado ao WhatsApp, desenvolvido para auxiliar empresas em tarefas como organização de agendas, atendimento a clientes, prospecção comercial e agendamento de reuniões.
Na época dos acessos, a plataforma também permitia realizar pesquisas na internet sem que o usuário precisasse sair do aplicativo de mensagens.
Empresa detectou uso fora do padrão
De acordo com a eesier, Wissam Maarouf foi bloqueado após a equipe identificar um volume de utilização muito acima do comportamento considerado normal, além de um padrão de pesquisas classificado como suspeito.
Em nota enviada à reportagem, a empresa informou que acredita que o usuário encontrou a ferramenta de forma orgânica, após publicações nas redes sociais anunciando novas funcionalidades do assistente de IA.
“A hipótese é de que ele tenha encontrado o eesier dessa forma, possivelmente no Twitter, embora não tenhamos confirmação”, afirmou a empresa.
Restaram apenas número do Iêmen e foto do perfil
Após o bloqueio da conta, a empresa informou que os únicos dados preservados foram o número de telefone utilizado, com código internacional do Iêmen, e a imagem de perfil do WhatsApp.
Na fotografia, Wissam Maarouf aparece usando vestimentas tradicionais iemenitas, incluindo uma túnica do tipo thobe, um paletó e um xale de lã.
A imagem também mostra o homem portando uma jambiya, adaga tradicional do Iêmen, presa à cintura, além de um fuzil Kalashnikov (AK-47) apoiado sobre as pernas.
Caso levou empresa a reforçar monitoramento
Segundo a eesier, o episódio serviu para reforçar mecanismos internos de monitoramento e detecção de usos considerados suspeitos da plataforma.
A empresa afirma que o acesso foi interrompido assim que os padrões de pesquisa foram identificados e diz colaborar com medidas para impedir que a ferramenta seja utilizada para finalidades incompatíveis com seus termos de uso.
