O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) prepara uma mudança na metodologia de cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro que deverá incluir estimativas relacionadas ao mercado de drogas ilícitas a partir de 2028. A medida faz parte da atualização do Sistema de Contas Nacionais e segue recomendações internacionais para tornar as estatísticas econômicas mais abrangentes e comparáveis entre países.
A inclusão considera atividades econômicas que envolvem transações voluntárias, como o consumo e a geração de renda relacionados ao mercado ilegal. A contabilização, porém, terá finalidade exclusivamente estatística e não significa legalização ou reconhecimento jurídico do tráfico de drogas.
O PIB é um indicador que mede o valor dos bens e serviços finais produzidos em uma economia durante determinado período. Atualmente, o IBGE já segue as normas do Sistema de Contas Nacionais das Nações Unidas, que orientam a inclusão de determinadas atividades econômicas mesmo quando são ilegais.
A mudança também aproxima o Brasil de práticas adotadas em outros países. Na União Europeia, por exemplo, estatísticas nacionais já consideram estimativas de atividades ilegais, como drogas e prostituição, dentro das contas econômicas, seguindo padrões estabelecidos pelo sistema europeu de contas.
A nova metodologia está sendo preparada pelo IBGE há anos e prevê a atualização do ano de referência das contas nacionais, que passará de 2010 para 2021. Além do mercado de drogas ilícitas, a revisão também deverá incorporar mudanças na forma de estimar outras atividades econômicas.
A inclusão dessas estimativas poderá alterar o tamanho nominal do PIB divulgado pelo instituto, mas isso não significa, necessariamente, que a economia tenha produzido mais bens ou serviços. Trata-se de uma mudança na forma de medir e contabilizar determinadas atividades econômicas. O próprio IBGE ressalta que o PIB é um indicador de fluxo da produção e não representa o estoque de riqueza de um país.
