O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta quinta-feira (24) que as mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, “não indicam ilegalidade alguma”. Em nota divulgada pela Presidência do Senado, o parlamentar classificou a reportagem da revista VEJA como “sensacionalismo barato” e informou que pretende tomar medidas judiciais contra a publicação.
As mensagens foram extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro e divulgadas pela VEJA. Nas conversas, Alcolumbre e o ex-banqueiro demonstram proximidade pessoal. Em uma troca de mensagens de fevereiro de 2025, após a eleição de Alcolumbre para a presidência do Senado, o senador chamou Vorcaro de “meu amor” e afirmou: “Sou seu irmão. Pra vida toda”. Vorcaro respondeu dizendo que também era seu irmão e que estaria à disposição “a qualquer tempo pra qualquer coisa”.
Segundo a VEJA, os diálogos também registram encontros e festas privadas que envolviam Alcolumbre e Vorcaro. A reportagem cita ainda conversas sobre contatos políticos e uma mensagem de julho de 2025 na qual Vorcaro buscava informações sobre uma reunião relacionada ao Banco Central. O conteúdo divulgado, contudo, não estabelece por si só a prática de crime ou irregularidade pelo presidente do Senado.
Na nota, Alcolumbre afirmou que a revista promoveu “mais um injusto ataque” e criticou a publicação por, segundo ele, não ter seguido a regra de checar as informações e ouvir a parte atingida. O senador também afirmou que não se intimidará com o que classificou como “ataques, pressões ou tentativas de atingir sua honra e sua trajetória pública”.
A Presidência do Senado informou que serão adotadas medidas judiciais “não só para reparação dos danos causados, mas para a reposição da verdade”. A nota não detalha, porém, quais ações serão apresentadas nem quais pessoas ou instituições serão responsabilizadas.
A VEJA, por sua vez, publicou as mensagens como parte de uma reportagem sobre a relação entre Alcolumbre e Vorcaro. A Folha também confirmou a existência das conversas divulgadas pela revista.
O caso ocorre em meio às investigações sobre o Banco Master e às discussões no Congresso sobre a instalação de uma CPI para apurar o caso. As mensagens e a relação pessoal entre os dois são elementos que passaram a ser analisados no contexto mais amplo das investigações, mas eventual responsabilidade por irregularidades depende da apuração das autoridades e da análise do conjunto das provas.
