Jornalistas da CNN, MS NOW e Politico foram impedidos de entrar na Casa Branca na manhã desta quinta-feira (24), mesmo após uma decisão judicial determinar o restabelecimento imediato das credenciais dos profissionais. O episódio provocou uma nova disputa entre os veículos de comunicação e o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Durante a madrugada, o juiz federal Timothy Kelly determinou que a administração Trump devolvesse, reativasse e restabelecesse as credenciais dos jornalistas dos três veículos por um período inicial de 14 dias. Na decisão, o magistrado afirmou que os profissionais tinham grandes chances de demonstrar que a retirada das credenciais ocorreu sem o devido processo constitucional.
Apesar da decisão, repórteres foram barrados durante as primeiras horas da manhã. A correspondente da CNN Betsy Klein e um fotojornalista foram impedidos de acessar os jardins da Casa Branca por volta das 6h, no horário local. O jornalista teve a credencial apreendida pelo Serviço Secreto.
Profissionais da MS NOW e da Politico também relataram dificuldades para entrar. No caso da MS NOW, a correspondente Laura Barrón-López e um produtor tiveram as credenciais confiscadas, enquanto outro funcionário do veículo conseguiu acessar o local. Um repórter da Politico também teve o passe apreendido.
Diante do ocorrido, os três veículos solicitaram uma audiência emergencial ao juiz, alegando que a administração havia descumprido a determinação judicial. O governo, porém, apresentou à Justiça uma declaração segundo a qual o processo de reativação das credenciais havia começado às 7h10 e que os crachás tinham sido reativados pelo Serviço Secreto às 9h07.
O acesso efetivo dos jornalistas ocorreu apenas por volta do meio-dia. A audiência emergencial acabou não sendo realizada depois que o governo apresentou informações sobre o processo de restabelecimento.
Decisão judicial
Na decisão, Timothy Kelly afirmou que a retirada das credenciais provavelmente violou o direito constitucional ao devido processo legal. Segundo o magistrado, os jornalistas deveriam ter recebido uma notificação e uma oportunidade de contestar a decisão antes de perderem o acesso à sede do governo.
Kelly também demonstrou ceticismo em relação à justificativa apresentada pela administração Trump de que a medida teria sido motivada por questões de segurança nacional. Para o juiz, com as informações disponíveis no processo, não havia elementos suficientes para demonstrar que a retirada das credenciais contribuiria efetivamente para proteger a segurança nacional.
A decisão ocorreu depois que CNN, MS NOW e Politico entraram com uma ação conjunta contra o governo. Os veículos alegaram que a suspensão do acesso foi uma retaliação à cobertura jornalística e violou direitos previstos na Constituição americana.
A administração Trump, por outro lado, argumentou que o acesso de jornalistas às áreas restritas da Casa Branca seria um privilégio, e não um direito, e citou preocupações relacionadas à segurança nacional para justificar as restrições.
Confronto começou na semana passada
O conflito teve início na sexta-feira passada, quando Trump anunciou que CNN, MS NOW e Politico estavam proibidos de acessar a Casa Branca. O presidente acusou os três veículos de divulgar informações que classificou como falsas.
As organizações de imprensa contestaram a medida na Justiça e afirmaram que a restrição estaria relacionada à forma como seus jornalistas cobrem o governo.
Em solidariedade aos veículos, ABC, CBS, CNN, Fox News e NBC também anunciaram a suspensão da participação na cobertura conjunta de televisão da Casa Branca, conhecida como press pool. Nesse sistema, uma emissora fica responsável por produzir imagens de determinados eventos presidenciais e compartilhá-las com outras empresas de comunicação.
A disputa judicial ainda não terminou. A ordem de Timothy Kelly tem duração inicial de 14 dias, período em que o caso continuará sendo analisado pela Justiça federal americana. Por enquanto, os jornalistas dos três veículos voltaram a ter acesso à Casa Branca após as horas de impasse desta quinta-feira.