O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, pretende realizar, pela primeira vez, um teste de integridade das urnas eletrônicas dentro da própria sede da Corte, em Brasília, durante o primeiro turno das eleições de 2026. A iniciativa prevê a participação de partidos que tenham candidatos à Presidência da República.
Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, as legendas com presidenciáveis deverão escolher as urnas que serão encaminhadas a Brasília para participar do chamado teste de espelho de auditabilidade. Até agora, os testes de integridade são realizados pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) nos estados.
O teste de integridade é um dos mecanismos de auditoria do sistema eletrônico de votação. Previsto nas normas da Justiça Eleitoral desde 2002, o procedimento verifica se os votos digitados na urna eletrônica são contabilizados de acordo com as cédulas de papel previamente preenchidas.
Na véspera da eleição, urnas preparadas para a votação são selecionadas em cerimônia pública pelas comissões de auditoria da Justiça Eleitoral. Partidos políticos e outras entidades fiscalizadoras podem acompanhar o processo de escolha.
No dia da eleição, as urnas selecionadas são levadas para locais definidos para a auditoria. Em ambiente controlado, cédulas preenchidas previamente são retiradas de urnas de lona e os votos são lidos em voz alta e digitados nos equipamentos submetidos ao teste. O procedimento é acompanhado por auditores e pode ser filmado.
Ao final da votação, às 17h, as urnas utilizadas na auditoria emitem o Boletim de Urna (BU). A comissão responsável então compara a totalização apresentada pelo equipamento com a quantidade e os candidatos indicados nas cédulas de papel. Os votos utilizados na auditoria são simulados e não fazem parte da apuração oficial.
Para as eleições de 2026, uma resolução aprovada pelo TSE prevê a realização do Teste de Integridade das Urnas Eletrônicas em cada unidade da Federação, no mesmo dia e horário da votação. A norma também estabelece duas modalidades: uma em ambiente controlado, em local público definido pelo TRE, e outra com uso de biometria de eleitores voluntários em locais próximos às seções eleitorais.
A proposta de realizar uma auditoria adicional na sede do TSE acrescentaria uma etapa ao procedimento tradicional. A iniciativa ocorre em um ano eleitoral no qual o tribunal tem reforçado ações de transparência e fiscalização do sistema eletrônico de votação.
Em maio, Nunes Marques acompanhou outra etapa de fiscalização das urnas: o Teste de Confirmação do Teste Público de Segurança dos sistemas eleitorais, realizado na sede do TSE. Na ocasião, pesquisadores verificaram se melhorias implementadas pelo tribunal após testes realizados em 2025 haviam sido efetivamente incorporadas aos sistemas.
