A Justiça Eleitoral do Paraná determinou que a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) preserve documentos fiscais e contábeis relacionados a eventos realizados em 2024, 2025 e 2026. Os documentos estão no centro de uma ação que pede a cassação da chapa de Sergio Moro (PL) ao governo do Paraná.
A decisão é o primeiro desdobramento de uma ação de investigação judicial eleitoral apresentada pela coligação que reúne, entre outros partidos, o PSD. A decisão foi obtida por O Antagonista.
A ação atribui a Moro e ao candidato a vice-governador Edson José de Vasconcelos suposto abuso de poder econômico pelo uso da estrutura da Fiep em favor da candidatura. Ao final, o pedido busca a cassação dos registros de candidatura ou, caso os candidatos já tenham sido diplomados, dos diplomas e mandatos, além da declaração de inelegibilidade por oito anos.
Em decisão de 20 de setembro, o corregedor regional eleitoral, desembargador Fernando Prazeres, não antecipou entendimento sobre a procedência das acusações. O magistrado, porém, considerou que os fatos apresentados pelo PSD têm, em tese, condições de ser analisados como possível abuso de poder econômico e reconheceu a existência de elementos indiciários suficientes para a abertura de investigação.
Justiça determina preservação de provas
A principal medida determinada foi a preservação dos documentos da Fiep. A entidade deverá manter íntegros contratos, notas de empenho, comprovantes de pagamento e registros contábeis relacionados aos Fóruns Regionais da Indústria de 2024 e 2025, à Expo+Indústria de 2026 e à Assembleia Geral Extraordinária realizada em 26 de agosto deste ano.
A Fiep terá cinco dias, contados a partir da intimação, para informar à Justiça quais documentos foram preservados. O descumprimento da determinação poderá resultar em multa de R$ 30 mil.
Segundo a ação, Edson Vasconcelos presidiu a Fiep até março de 2026, quando se licenciou para disputar a Vice-Governadoria na chapa de Moro.
A acusação sustenta que, antes disso, a estrutura da entidade teria sido utilizada para ampliar a exposição pública dos dois políticos.
Um dos exemplos citados são os Fóruns Regionais da Indústria realizados em 2025. De acordo com a ação, Moro participou de praticamente todos os eventos como convidado de honra, enquanto Vasconcelos ainda presidia a Federação.
A petição afirma ainda que, em determinados eventos, as falas de Moro teriam ultrapassado os temas relacionados à indústria e adquirido conteúdo eleitoral.
