Milhares de refugiados rohingya continuam arriscando a vida em travessias pelo Mar de Andaman e pela Baía de Bengala, em viagens que partem principalmente de Bangladesh e Myanmar com destino à Malásia e à Indonésia.
Segundo dados da ONU citados pela CNN, aproximadamente uma em cada sete pessoas que tenta fazer a travessia não chega ao destino, tornando a rota uma das mais letais do mundo para refugiados e migrantes.
A situação se agravou nos últimos anos com a guerra civil em Myanmar e a deterioração das condições de vida nos campos de refugiados de Cox’s Bazar, em Bangladesh. O cenário também fortaleceu a atuação de redes de contrabando e tráfico de pessoas.
No ano passado, cerca de 6.500 rohingyas tentaram atravessar a região. Aproximadamente 900 foram considerados mortos ou desaparecidos no mar. No primeiro semestre deste ano, 820 pessoas morreram ou desapareceram, quase o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.
Os números, porém, podem ser ainda maiores, já que muitas embarcações desaparecem sem deixar sobreviventes ou sequer são identificadas pelas autoridades.
Além dos riscos da viagem, famílias de refugiados relatam um aumento nos casos de sequestro e extorsão. Segundo organizações que acompanham a situação dos rohingyas, algumas vítimas são sequestradas nos campos de Bangladesh e posteriormente obrigadas a embarcar nas embarcações.
É o caso de Jani Alom, de 15 anos, que teria sido sequestrado após sair da escola e, posteriormente, informado ao pai que seria colocado em um barco com destino à Malásia. A família chegou a pagar parte do valor exigido pelos sequestradores, mas perdeu o contato com o adolescente.
Outro caso envolve Hamid Ullah, de 20 anos, também retirado de um campo de refugiados. A família não conseguiu reunir o valor exigido pelos sequestradores e posteriormente soube que ele seria colocado em uma embarcação rumo à Malásia.
Os desaparecimentos recentes de centenas de pessoas após o sumiço de embarcações na costa de Myanmar aumentaram a preocupação entre as famílias e organizações humanitárias. Para os refugiados, a travessia representa uma tentativa de escapar da violência e buscar melhores condições de vida, mas também os expõe a naufrágios, exploração, doenças e tráfico de pessoas.
