Os Estados Unidos vêm ampliando a atuação militar e a cooperação de segurança com países da América Latina para combater organizações criminosas e o tráfico internacional de drogas.
Um dos exemplos mais recentes ocorreu em 8 de setembro, quando forças sob coordenação do Comando Sul dos EUA interceptaram, no Pacífico Oriental, uma embarcação apontada pelas autoridades americanas como uma estação flutuante de abastecimento utilizada por redes de narcotráfico.
Segundo o Comando Sul, a embarcação tinha ligação com a organização criminosa Los Choneros, do Equador. Os ocupantes foram retirados e encaminhados às autoridades equatorianas. Depois da operação, os militares americanos afundaram o barco.
A ação fez parte de uma sequência de operações realizadas nas últimas semanas. Em setembro, forças americanas interceptaram outras embarcações consideradas pontos de apoio logístico ao tráfico no Pacífico Oriental, em ações coordenadas com o governo do Equador. Até meados do mês, o Comando Sul havia divulgado diversas operações desse tipo.
Equador amplia parceria com Washington
O Equador se tornou um dos principais parceiros dos Estados Unidos na área de segurança. A cooperação envolve operações contra grupos criminosos, compartilhamento de informações e apoio a estruturas utilizadas no combate ao narcotráfico.
O governo americano também anunciou medidas para ampliar a capacidade das forças equatorianas, incluindo o fornecimento de embarcações destinadas à interceptação de suspeitos.
A estratégia, porém, também gera questionamentos. Especialistas apontam que operações militares contra embarcações suspeitas podem dificultar investigações posteriores e levantar dúvidas sobre a identificação das pessoas envolvidas e sobre os procedimentos utilizados durante as ações.
Além disso, organizações de direitos humanos têm questionado a legalidade de parte das operações militares americanas contra suspeitos de tráfico realizadas desde 2025.
Venezuela também entra no radar
A cooperação de segurança entre Washington e países latino-americanos também avançou na Venezuela. O governo americano passou a trabalhar com as autoridades venezuelanas em operações de inteligência e combate a organizações criminosas.
Entre os episódios citados pelas autoridades está uma operação que teria resultado na morte de Héctor Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”, apontado como líder do Tren de Aragua.
A aproximação representa uma mudança significativa na relação entre os dois governos. Washington passou a destacar a colaboração de Caracas em determinadas ações de segurança, em contraste com anos de forte tensão entre os Estados Unidos e os governos chavistas.
Em setembro, Donald Trump também anunciou a retirada da Venezuela da lista americana de países considerados insuficientes no combate ao tráfico de drogas. A decisão foi associada pelo governo americano à cooperação estabelecida com as autoridades venezuelanas.
Operações na fronteira com o México
Na fronteira com o México, os Estados Unidos também ampliaram o emprego de tecnologia contra atividades criminosas. O Comando Norte informou o uso de sistemas a laser para derrubar drones que, segundo as autoridades americanas, estariam sendo utilizados por grupos ligados ao tráfico.
O governo mexicano afirmou que foi informado sobre as operações e destacou que qualquer cooperação deve respeitar a soberania do país.
A questão dos drones ganhou importância com o aumento do uso desses equipamentos por organizações criminosas para transporte, vigilância e outras atividades.
Washington busca ampliar alianças
A intensificação das ações faz parte de uma estratégia mais ampla do governo Donald Trump para aumentar a cooperação de segurança no Hemisfério Ocidental.
Em março, Trump reuniu líderes latino-americanos em Miami para o lançamento do chamado “Escudo das Américas”, iniciativa voltada ao combate ao crime organizado, ao narcotráfico e a outras ameaças transnacionais. O grupo reúne países como Argentina, Equador, El Salvador, Bolívia, Chile, Costa Rica, Panamá e Paraguai.
Nos últimos dias, Washington também anunciou a intenção de redirecionar US$ 52 milhões em assistência militar anteriormente destinada a países da Europa e do Oriente Médio para nações da América Latina, incluindo Equador, Colômbia, Peru e Panamá. A medida reforça a prioridade dada pela administração Trump ao Hemisfério Ocidental.
O movimento amplia a presença americana na região, mas também coloca governos latino-americanos diante do desafio de equilibrar a cooperação com Washington e a preservação de sua autonomia nas políticas de segurança.
