Documentos de uma auditoria interna do Banco Regional de Brasília (BRB), encontrados pela Polícia Federal (PF), apontam que o Banco Master pagou R$ 33 milhões, em 2024, ao escritório da advogada Dalide Corrêa, ex-diretora-geral do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), instituição fundada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo reportagem de O Estado de S. Paulo, o nome de Dalide também aparece em conversas de executivos do Banco Master associado à expressão “canal direto com o STF”. Os documentos, porém, não apontam qual seria o significado da expressão nem registram, nesses diálogos, menções a Gilmar Mendes ou a outro ministro do Supremo. A PF também não apresentou, até o momento, conclusão sobre a legalidade do contrato ou realizou diligências específicas para verificar os serviços prestados pelo escritório.
A auditoria analisada pela PF chama atenção ainda para o aumento das despesas jurídicas do Banco Master. Em 2024, os gastos com escritórios de advocacia chegaram a R$ 215 milhões, contra R$ 76 milhões no ano anterior.
Do total registrado em 2024, R$ 40 milhões foram destinados ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, enquanto outros R$ 33 milhões foram pagos ao escritório Alves Corrêa, de Dalide Corrêa. O documento questiona o padrão dessas despesas e aponta a necessidade de compreender os valores considerados habituais para esse tipo de serviço.
Em nota ao Estadão, Dalide Corrêa negou ter atuado para o Banco Master no STF ou procurado ministros da Corte em assuntos relacionados à instituição financeira. Segundo a advogada, seu trabalho ficou restrito a processos judiciais originalmente conduzidos em favor de empresas que venderam créditos ao Master e que posteriormente foram sucedidas pelo banco. Ela afirmou ainda que essa atuação ocorreu exclusivamente em primeira e segunda instâncias.
Dalide foi diretora do IDP e se afastou da instituição em 2017, após desentendimentos na gestão, segundo as informações divulgadas pelo jornal. Gilmar Mendes foi procurado por meio da assessoria do STF, mas não se manifestou sobre os documentos. A interlocutores, de acordo com a reportagem, o ministro afirmou que se afastou da advogada depois que ela deixou o instituto e que não mantém relação de proximidade com ela.
Os documentos passam a integrar o conjunto de informações analisadas no contexto das investigações envolvendo o Banco Master. Até o momento, contudo, os registros sobre os pagamentos não estabelecem, por si só, irregularidade na contratação dos escritórios ou participação de ministros do STF nos serviços prestados.