O ex-presidente Michel Temer (MDB), responsável pela indicação de Alexandre de Moraes ao STF (Supremo Tribunal Federal), esteve nesta quarta-feira (16) no TCE (Tribunal de Contas do Estado) de São Paulo, onde se reuniu com conselheiros ligados ao ministro André Mendonça.
Segundo um interlocutor, além da visita institucional, Temer demonstrou preocupação com o atual cenário do Supremo e conversou com integrantes do grupo próximo a Mendonça sobre a possibilidade de evitar uma escalada na disputa entre os dois ministros.
“Foi apenas um almoço entre amigos. Nada mais”, afirmou Temer à Folha.
O TCE-SP publicou imagens do ex-presidente sendo recebido pela presidente da Corte, Cristiana de Castro Moraes, e ao lado dos demais conselheiros. O órgão classificou o encontro como uma “visita institucional”.
Conselheiros próximos a Mendonça
Entre os presentes estava Maxwell Borges, indicado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao TCE-SP em dezembro de 2024. Ele é apontado como o conselheiro mais próximo de Mendonça e, até o ano passado, divulgava em suas redes sociais atividades do Instituto Iter, entidade fundada pelo ministro. Borges se afastou do instituto neste mês.
Também participou do encontro Wagner Rosário, indicado por Tarcísio e ex-controlador-geral da União durante o governo Temer. Ele permaneceu no cargo durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL) e foi colega de Mendonça quando o ministro comandava a Advocacia-Geral da União (AGU).
Outro integrante do colegiado é Marco Aurélio Bertaiolli, indicado pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Ex-deputado, ele fazia parte do grupo político do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), também próximo de Mendonça.
Encontro com Vorcaro
Em 14 de março de 2025, Mendonça esteve em São Paulo para a posse de Maxwell Borges no TCE. Na ocasião, o ministro também se encontrou com o banqueiro Daniel Vorcaro. Cezinha de Madureira participou do evento.
Mensagens encontradas no celular de Vorcaro e extraídas pela Polícia Federal indicam, segundo a investigação, que o deputado teria intermediado o encontro entre o ministro e o banqueiro.
Operação contra Cezinha aumenta tensão
A disputa entre Moraes e Mendonça também passou a repercutir em São Paulo após uma operação determinada pelo ministro Flávio Dino contra Cezinha de Madureira na segunda-feira (14).
Cezinha foi um dos primeiros políticos a apoiar a campanha de Tarcísio de Freitas ao governo paulista, ainda quando o atual governador era ministro da Infraestrutura de Bolsonaro.
Ligado a grupos bolsonaristas no Congresso e à Assembleia de Deus Ministério Madureira, o deputado também é apontado como um elo político entre Tarcísio, aliados de Gilberto Kassab, bolsonaristas e evangélicos.
Em 2022, Cezinha recebeu R$ 399 mil da campanha de Tarcísio. Segundo a campanha, o repasse foi realizado pela conta oficial, dentro das regras eleitorais, declarado à Justiça Eleitoral e incluído na prestação de contas aprovada.
Em nota, Tarcísio afirmou ainda que as investigações contra o deputado devem seguir seu curso, com respeito ao devido processo legal, e que cabe a Cezinha prestar os esclarecimentos às autoridades.
Investigação sobre dinheiro em espécie
A operação contra Cezinha teve como base, segundo decisão de Flávio Dino, uma investigação iniciada em agosto, quando a advogada Valéria Rodrigues Linhares foi encontrada no aeroporto de Congonhas com R$ 510 mil em espécie.
De acordo com a decisão, o dinheiro teria sido pago por Mariângela Fialek, ex-assessora de Arthur Lira (PP-AL), após uma suposta atuação de Cezinha para influenciar decisões do ministro Kassio Nunes Marques.
Cezinha negou irregularidades e afirmou esperar que a investigação seja conduzida com “a devida distância de qualquer circunstância política ou eleitoral”.
Com informações de Folha de S. Paulo
