O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece nesta quarta-feira (16) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no mercado de previsão da Polymarket sobre a eleição presidencial de 2026.
A plataforma atribui atualmente 54,6% ao senador e 45% ao presidente. Os números representam as cotações negociadas no mercado e não equivalem a uma pesquisa de intenção de voto. O contrato relacionado à eleição brasileira já movimentou cerca de US$ 150 milhões, segundo os dados disponíveis na plataforma.
O movimento ocorre em uma semana marcada por forte repercussão da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e as relações do ministro Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na terça-feira (15), o STF iniciou a análise de uma petição baseada em relatório da Polícia Federal produzido a partir de informações extraídas do celular de Vorcaro. O ministro Flávio Dino pediu vista e suspendeu a discussão antes que o plenário analisasse o mérito do caso.
A crise no Supremo também ganhou espaço no debate eleitoral. Flávio Bolsonaro passou a associar publicamente o presidente Lula ao ministro Alexandre de Moraes e tem utilizado as controvérsias envolvendo a Corte como um dos temas de sua campanha. Nesta quarta-feira, durante agenda no Ceará, o senador voltou a criticar Moraes e afirmou que, se eleito, poderá indicar novos ministros para o STF.
Os mercados de previsão, porém, apresentam um retrato diferente das pesquisas eleitorais tradicionais. Levantamento CNT/MDA divulgado nesta semana, por exemplo, apontou Lula com 40,6% das intenções de voto no primeiro turno, contra 30,4% de Flávio. Em uma simulação de segundo turno entre os dois, Lula apareceu com 47,3% e Flávio com 40%. A pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre 9 e 13 de setembro e tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
Já a pesquisa Datafolha anterior, divulgada em 11 de setembro, mostrava Lula com 46% e Flávio com 44% em um eventual segundo turno, dentro da margem de erro. Um novo levantamento do instituto está previsto para ser divulgado nesta quinta-feira (17).
Assim, a cotação da Polymarket registra, neste momento, uma percepção diferente daquela observada em pesquisas eleitorais recentes. A diferença entre os dois tipos de indicador é importante: enquanto pesquisas procuram medir a intenção declarada dos eleitores em uma amostra da população, mercados de previsão refletem as negociações realizadas pelos participantes da plataforma.
A eleição presidencial está marcada para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro. Até lá, pesquisas e cotações podem sofrer alterações conforme novos acontecimentos políticos e eleitorais.
