O governo dos Estados Unidos acusou o Brasil de não enfrentar de forma suficiente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), em um novo capítulo da pressão de Washington sobre o combate ao crime organizado no país.
A declaração consta de um documento divulgado nesta quarta-feira (16) pelo governo americano e assinado pelo presidente Donald Trump. Segundo o texto, as duas organizações criminosas brasileiras transformaram o Brasil em um centro para o fluxo global de cocaína.
O documento afirma que, enquanto governos do Ocidente adotam medidas para reduzir o tráfico de drogas e combater organizações criminosas, o governo brasileiro teria falhado em confrontar o PCC e o Comando Vermelho. Trump defende que o Brasil adote medidas consideradas firmes e urgentes contra os dois grupos.
Apesar da crítica, o Brasil não foi incluído na lista oficial dos países considerados grandes produtores ou importantes rotas de drogas pelo governo americano. O país também não aparece entre os governos classificados por Washington como aqueles que “falharam de forma demonstrável” no cumprimento de compromissos relacionados ao combate ao narcotráfico.
A menção ao PCC e ao Comando Vermelho ocorre meses depois de os Estados Unidos classificarem as duas facções como “Terroristas Globais Especialmente Designados”. A medida foi anunciada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, em maio e publicada no início de junho.
Na ocasião, o governo americano afirmou que os grupos representavam uma ameaça à segurança dos Estados Unidos e poderiam estar envolvidos em atividades que se enquadrariam nos critérios utilizados por Washington para a designação.
A nova manifestação de Trump amplia a pressão sobre o governo brasileiro e ocorre em meio a uma relação marcada por divergências entre Brasília e Washington. O documento também representa uma mudança em relação ao relatório divulgado no ano anterior, quando o Brasil não havia sido citado nominalmente.
O governo americano também destacou, no mesmo documento, a atuação de outros países da América Latina no combate ao narcotráfico. A avaliação faz parte de um relatório anual encaminhado pela Casa Branca ao Congresso dos Estados Unidos sobre produção e rotas internacionais de drogas e os esforços dos governos estrangeiros para enfrentar o problema.
A manifestação ocorre ainda durante o período eleitoral brasileiro, em um momento em que a segurança pública e o combate às organizações criminosas estão entre os temas de destaque no debate político nacional.
