O candidato à Presidência da República Rui Costa Pimenta, do Partido da Causa Operária (PCO), afirmou não confiar nas urnas eletrônicas brasileiras e defendeu a adoção do voto impresso e auditável. A declaração foi dada em entrevista ao Metrópoles na terça-feira (1º/9).
“Nunca fui a favor [das urnas eletrônicas]. Porque, conhecendo o mundo da eletrônica, a gente sabe que tudo isso é facilmente penetrável”, afirmou.
Questionado sobre o motivo de disputar uma eleição mesmo sem confiar nas urnas, Pimenta respondeu: “É a eleição que tem, não sou eu quem faço as regras.”
Ao ser perguntado se confia no sistema eleitoral brasileiro, o candidato respondeu que não. Sobre a existência de provas de vulnerabilidades nas urnas, afirmou que não estava acusando ninguém de interferência.
“Não estou acusando ninguém de fazer nada. Só digo que as urnas eletrônicas abrem a possibilidade de que alguém faça algo. É um aparelho eletrônico e, como tal, vulnerável. Por isso eu acho que deveríamos ter o voto tradicional, em urna”, declarou.
Pimenta também afirmou que “na esmagadora maioria dos países não há voto eletrônico” e que “nenhum país europeu adota esse método brasileiro”.
Voto eletrônico na Europa
A afirmação sobre a inexistência de votação eletrônica na Europa, porém, não corresponde integralmente à realidade. Há países europeus que utilizam sistemas de votação pela internet.
Na Suíça, o voto online é permitido de forma pontual, principalmente para cidadãos que vivem no exterior. A França também permite a votação pela internet para cidadãos residentes fora do país em eleições legislativas e consulares.
Já a Estônia disponibiliza o voto remoto pela internet para todos os eleitores desde 2005, utilizando cartões de identidade digitais criptografados e celulares.
Candidato cita decisão na Alemanha
Ao defender o voto impresso, Pimenta citou uma decisão do Tribunal Constitucional Federal da Alemanha. Em 3 de março de 2009, a Corte declarou inconstitucional o uso de urnas eletrônicas que não emitiam comprovante físico.
A decisão foi apresentada pelo candidato como argumento para defender a adoção de mecanismos físicos de auditoria nas eleições brasileiras.
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