Brasileiros de 16 a 24 anos são os que mais consomem alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas, frituras e doces no país. É o que aponta uma pesquisa inédita realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus.
O levantamento mostra um contraste entre os hábitos alimentares e a percepção que os jovens têm da própria saúde. Apesar de apresentarem os maiores índices de consumo de produtos considerados pouco saudáveis, os brasileiros dessa faixa etária também são os que mais classificam a própria saúde como ótima ou boa.
Entre os entrevistados de 16 a 24 anos, 52% afirmaram consumir, em três ou mais dias da semana, alimentos como salsicha, linguiça, presunto, macarrão instantâneo e salgadinhos. Considerando todos os participantes da pesquisa, o percentual cai para 33%.
A diferença também aparece quando o levantamento considera o consumo diário. Entre os jovens, 17% disseram consumir ultraprocessados todos os dias — aproximadamente um em cada seis entrevistados. Entre pessoas com 60 anos ou mais, o índice é de apenas 4%, o equivalente a uma em cada 25.
Bebidas açucaradas também têm alto consumo
O padrão se repete no consumo de bebidas açucaradas. Entre os brasileiros de 16 a 24 anos, 52% afirmaram consumir esse tipo de produto em três ou mais dias da semana.
Na média geral dos entrevistados, o percentual é de 37%.
As frituras também fazem parte da rotina alimentar de uma parcela significativa dos jovens. Segundo a pesquisa, 42% dos entrevistados nessa faixa etária consomem frituras em três ou mais dias da semana, enquanto o índice é de 31% considerando toda a amostra.
No caso dos doces, 39% dos jovens afirmaram consumir esses alimentos com essa frequência. Entre os participantes de todas as idades, o percentual é de 31%.
Percepção positiva sobre a própria saúde
Apesar dos hábitos alimentares, a Geração Z apresenta a maior proporção de entrevistados que consideram a própria saúde ótima ou boa.
O resultado evidencia uma diferença entre a percepção individual de bem-estar e os hábitos identificados pela pesquisa. Embora os jovens sejam os maiores consumidores dos produtos analisados, a maioria mantém uma avaliação positiva sobre a própria condição de saúde.
Os dados ajudam a mostrar como hábitos alimentares podem variar de acordo com a faixa etária e apontam para um desafio de longo prazo: estimular escolhas alimentares mais equilibradas entre os jovens, justamente em uma fase da vida em que comportamentos e padrões de consumo podem se consolidar para os anos seguintes.