O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve pedir a nulidade da investigação sobre sua atuação no Caso Master, que será analisada pelo plenário da Corte na próxima terça-feira (15). A informação é atribuída a fontes ligadas ao Supremo. O gabinete do ministro ainda não confirmou a medida.
Segundo os relatos, Moraes deve argumentar que as suspeitas levantadas pelo ministro André Mendonça, relator do caso, são baseadas em ilações.
A investigação foi aberta a partir de elementos encontrados pela Polícia Federal (PF) no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. De acordo com o relatório policial, foram identificadas 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes.
Pedidos de intermediação
Segundo a investigação, Vorcaro teria procurado Moraes para pedir uma intermediação com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para evitar medidas que pudessem prejudicar o Banco Master.
O ex-banqueiro também teria buscado informações sobre o andamento das apurações e demonstrado preocupação com possíveis medidas contra ele e a instituição. Em uma das situações, teria mencionado até a possibilidade de deixar o país.
Contrato de R$ 131 milhões
A perícia da PF nos dados apreendidos no celular de Vorcaro também identificou que a minuta de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, foi editada por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
O escritório confirmou que o ministro foi consultado durante a elaboração do contrato, mas afirmou que a consulta teve como objetivo verificar possíveis impedimentos legais relacionados à contratação e aos processos do Banco Master no STF.
A banca negou que Moraes tenha atuado em favor do banco.
Defesa aponta ausência das respostas
Para a defesa de Moraes, não há material divulgado que demonstre quais teriam sido as respostas do ministro às mensagens de Vorcaro.
O argumento é que os pedidos feitos pelo banqueiro, por si só, não permitem concluir que Moraes tenha concordado com as solicitações, tomado providências ou atuado em benefício do Banco Master.
A defesa também deve sustentar que, sem o conteúdo das respostas e o contexto completo das conversas, não seria possível estabelecer uma relação entre as mensagens de Vorcaro e eventual conduta irregular do ministro.
Segundo a PF, Moraes respondia às mensagens de Vorcaro pelo recurso de visualização única do WhatsApp. Conforme o relatório, o conteúdo era preparado no aplicativo Bloco de Notas, transformado em captura de tela e enviado como imagem.
Com informações de CNN Brasil
