A Polícia Federal (PF) apontou, em investigação sobre o Banco Master, que o banqueiro Daniel Vorcaro se preparava para deixar o país dias antes de ser preso, em novembro de 2025. As informações constam em um relatório tornado público nesta quinta-feira (10) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo os investigadores, mensagens e registros encontrados no celular de Vorcaro indicam que ele tinha conhecimento antecipado de que medidas judiciais seriam tomadas contra ele. A PF também aponta que o banqueiro monitorava autoridades, buscava informações sigilosas relacionadas às investigações e tentava influenciar agentes públicos e dificultar as apurações.
O relatório afirma ainda que Vorcaro acompanhava as investigações relacionadas ao Banco Master e ao BRB e recorria ao grupo conhecido como “A Turma”, apontado pela PF como uma estrutura formada por policiais que atuaria em ações contra pessoas consideradas adversárias do banqueiro.
De acordo com a PF, em 24 de julho de 2025, Vorcaro teve acesso a uma notícia de fato que deu origem à Operação Compliance Zero. Os investigadores afirmam que, posteriormente, ele passou a mapear autoridades e agentes públicos envolvidos nas apurações.
A PF também destaca que, na véspera da prisão, Vorcaro já sabia o nome do juiz responsável pela vara federal onde tramitava o pedido de medidas cautelares. Em 16 de novembro, um dia antes de ser detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando estava prestes a embarcar para Dubai, o banqueiro registrou em seu bloco de notas uma pergunta sobre a proximidade de um interlocutor com o juiz da 10ª Vara Federal Criminal.
Segundo outro relatório divulgado por Mendonça, o interlocutor era o ministro Alexandre de Moraes. Mensagens tornadas públicas anteriormente indicam que Vorcaro mantinha contato com o ministro durante a crise envolvendo o Banco Master. Em uma das conversas, o banqueiro chegou a perguntar a Moraes se deveria deixar o país.
No dia da prisão, a PF identificou uma intensa troca de mensagens entre Vorcaro e o advogado Walfrido Warde. Para os investigadores, o conteúdo demonstra preocupação com os acontecimentos e revela discussões sobre deslocamentos, horários de voos e mudanças de roteiro.
Segundo a PF, a sequência de mensagens e ligações indica que Vorcaro tinha conhecimento de que medidas judiciais seriam adotadas contra ele e estaria se preparando para fugir. Os investigadores classificaram os elementos como indicativos de “monitoramento indevido de autoridades, obstrução à Justiça e risco concreto de evasão”.
Em outra conversa, Vorcaro afirmou ao advogado que estava “preocupado”. Warde, por sua vez, pediu calma e informou que a equipe trabalhava no caso. O advogado também enviou uma captura de tela mostrando que uma petição havia sido protocolada, embora, segundo a PF, fosse necessário improvisar porque a defesa não tinha o número do processo.
Para os investigadores, a troca demonstra que Vorcaro e seus advogados sabiam que uma decisão judicial estava prestes a ser tomada, embora não tivessem acesso completo ao andamento do procedimento.
O relatório também aponta que Vorcaro teria atuado junto à imprensa para garantir a divulgação de assuntos considerados de interesse do Banco Master. Na avaliação da PF, os dados extraídos do celular reforçam indícios de que o banqueiro recebia informações privilegiadas ou provenientes de órgãos públicos e mantinha uma rede de influência em seu benefício.
Ao reunir os elementos, a Polícia Federal concluiu que a sucessão de anotações, contatos com autoridades, interesse pelo magistrado responsável pelas medidas, preocupação com as movimentações e atuação para obter informações indicaria que Vorcaro percebia um risco iminente à própria liberdade e poderia estar planejando uma eventual fuga.
