A revista britânica The Economist publicou nesta quinta-feira (10) uma análise sobre a crise institucional que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que a Corte está no centro de um “escândalo de corrupção” relacionado ao caso Banco Master. A publicação também abordou o conflito entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça e os questionamentos sobre a atuação de integrantes do tribunal.
O texto relembra a atuação do STF no processo que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Segundo a revista, a Corte passou a enfrentar novos questionamentos justamente no período que antecede as eleições gerais de outubro.
A Economist direciona parte das críticas ao ministro Alexandre de Moraes, que presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as eleições de 2022 e foi relator de investigações envolvendo ataques às instituições democráticas e o chamado inquérito das fake news.
De acordo com a publicação, algumas decisões tomadas por Moraes são alvo de controvérsia, especialmente aquelas relacionadas à remoção de perfis e conteúdos nas redes sociais. A revista também questiona a concentração de funções no inquérito das fake news, ao mencionar que o ministro teria exercido simultaneamente papéis de interessado, investigador e julgador.
RELAÇÃO COM VORCARO
O artigo também aborda as relações entre integrantes do STF e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, cuja instituição foi alvo de investigações e posteriormente entrou em processo de liquidação.
A Economist cita informações obtidas pela Polícia Federal envolvendo comunicações entre Moraes e Vorcaro e menciona ainda a contratação do escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, pelo Banco Master. O escritório afirmou anteriormente que prestou serviços ao banco entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 e que não atuou perante o STF em processos envolvendo a instituição.
A publicação também destaca a reação de Moraes diante das acusações e o pedido para que fossem apuradas condutas atribuídas ao ministro André Mendonça, que atua como relator de processos relacionados ao Banco Master.
DISPUTA ENTRE MORAES E MENDONÇA
A crise descrita pela revista se intensificou com a troca de acusações e decisões envolvendo os dois ministros. A Economist menciona a tentativa de Mendonça de suspender o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, além de questionamentos sobre medidas adotadas pelo ministro durante as investigações.
Segundo a publicação, a Polícia Federal acusou Mendonça de interferência na coleta de provas. A revista também faz referência ao episódio ocorrido quando Mendonça era ministro da Justiça, durante o governo Bolsonaro, relacionado à produção de um dossiê sobre policiais e acadêmicos considerados adversários pelo então presidente.
O conflito entre os ministros passou a ser analisado diretamente pela Presidência do STF. Em setembro, Edson Fachin retirou da tramitação do inquérito das fake news o pedido apresentado por Moraes contra Mendonça e assumiu a análise da questão na Presidência da Corte.
IMPACTOS POLÍTICOS
Na avaliação publicada pela Economist, a crise no Supremo ocorre em um contexto de crescente tensão política e pode ampliar a pressão do Congresso sobre os ministros da Corte.
A revista também menciona o caso envolvendo Flávio Bolsonaro e o financiamento do filme Dark Horse, que teria envolvido negociações entre o senador e Vorcaro. A relação é tratada pela publicação como parte do conjunto de conexões políticas e empresariais que passaram a ser examinadas no contexto do caso Banco Master.
Ao final, a Economist afirma que o desgaste da confiança no Supremo representa um problema institucional e sustenta que a crise pode ter consequências para a percepção pública sobre a Justiça brasileira.
As avaliações e caracterizações atribuídas à The Economist refletem a análise editorial da revista e não constituem, por si só, conclusões judiciais sobre as condutas mencionadas.
