Participar de programas de rastreamento do câncer colorretal pode reduzir significativamente o risco de morte pela doença, segundo um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Karolinska e da Universidade de Umeå, na Suécia.
Publicado em 20 de agosto na revista JAMA Network Open, o estudo acompanhou mais de 376 mil pessoas por até 14 anos. Os resultados indicaram que participantes que realizaram o teste de rastreamento apresentaram até 43% menos risco de morrer em decorrência do câncer colorretal.
Como funciona o teste
Na Suécia, o rastreamento é realizado por meio de um kit enviado à residência dos participantes. A pessoa coleta uma pequena amostra de fezes, que é analisada em laboratório para identificar traços de sangue que não podem ser vistos a olho nu.
Quando o resultado aponta a presença de sangue, o paciente é encaminhado para exames complementares, como a colonoscopia, que permite identificar lesões ou tumores em estágio inicial.
A estratégia é utilizada na Suécia para pessoas entre 60 e 74 anos, com exames realizados a cada dois anos.
Diferença entre receber o convite e fazer o exame
Os pesquisadores compararam pessoas que receberam convite para participar do rastreamento entre 2008 e 2012 com indivíduos que não participaram do programa nesse período.
Após ajustes estatísticos, os pesquisadores observaram que apenas receber o convite estava associado a uma redução de 26% no risco de morte. Entre as pessoas que efetivamente realizaram o teste, a redução chegou a 43%.
Segundo os autores, os resultados reforçam que o benefício está diretamente relacionado à adesão ao exame. Apesar de o procedimento ser gratuito e simples, cerca de um terço das pessoas não envia a amostra para análise.
Acompanhamento de longo prazo
Durante o período analisado, foram registradas 1.668 mortes por câncer colorretal. Para os pesquisadores, o grande número de participantes e o longo período de acompanhamento estão entre os fatores que fortalecem os resultados.
Os autores, porém, destacam que as estimativas dependem de modelos estatísticos utilizados para corrigir possíveis diferenças entre os grupos analisados, o que pode gerar algum grau de incerteza.
O câncer colorretal está entre os tipos de câncer mais frequentes no mundo e apresenta maiores chances de tratamento quando identificado precocemente. O objetivo do rastreamento é detectar sinais iniciais da doença antes do surgimento de sintomas.
Com informações de Metrópoles
