O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes recebeu, no último sábado (29), uma certidão de óbito de mais um réu pelos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Ronaldo Edison Richard, conhecido como Richard Galo, tinha 63 anos e morreu em 10 de agosto, em sua casa, no município de Santa Rosa (RS).
A certidão aponta que a causa da morte ainda não está totalmente esclarecida, mas menciona alcoolismo e hipertensão arterial como contexto adicional. Ronaldo deixou duas filhas, Karolaine, de 28 anos, e Deisi, de 24.
Richard foi alvo da 23ª fase da Operação Lesa Pátria, que investigou o financiamento de transportes do Sul do país para os atos em Brasília. A Primeira Turma do STF recebeu a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), e a ação penal estava na fase de instrução.
No mesmo dia em que a defesa comunicou o falecimento, Moraes determinou a apresentação das alegações finais de um dos réus, mas não se manifestou sobre a morte de Richard. A defesa voltou a informar o óbito e anexou a certidão ao processo.
Quem era Richard Galo
Aposentado e cadeirante, Richard recebia o Benefício de Prestação Continuada da Lei Orgânica da Assistência Social (BPC/LOAS), no valor de um salário mínimo.
A defesa apresentou a informação para solicitar o benefício da Justiça gratuita e contestar a acusação de que ele teria financiado as manifestações.
Dados da Justiça Eleitoral apontam que Richard foi candidato a vereador em 2000, 2012 e 2016 pelo PSB e, em 2024, pelo PL. Na última eleição, declarou possuir R$ 885,72 em conta corrente e um Fusca avaliado em R$ 5 mil.
Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão, os investigadores encontraram um celular Samsung J5 com a tela quebrada. Segundo a informação apresentada no processo, a Polícia Federal (PF) “não constatou fatos, dados ou indícios relevantes para investigação” no aparelho.
Além do celular, foram encontradas uma arma e 29 munições. Richard reconheceu que o registro da arma estava irregular e foi preso em flagrante. Em interrogatório, afirmou que havia comprado o armamento para proteger a família.
PF apontou ausência de recursos próprios para financiar ônibus
Apesar das assinaturas de Richard em recibos e contratos, a Polícia Federal concluiu que o levantamento de bens não era compatível com o pagamento de R$ 22 mil pelo ônibus fretado.
O último salário formal identificado pela investigação era de um salário mínimo, referente ao trabalho como assessor na Câmara de Vereadores de Santa Rosa.
A defesa afirmou que os próprios passageiros arcaram com os custos da viagem e que Richard teria assinado os documentos apenas para permitir a liberação do veículo da garagem. A investigação confirmou a hipótese de arrecadação coletiva ao analisar as contas bancárias.
“É absolutamente improvável e inverossímil que Ronaldo tenha arcado com recursos próprios para os R$ 22 mil que pagou à empresa de turismo, sendo muito provável, ante os depoimentos colacionados, que o investigado tenha gerenciado uma arrecadação”, afirma o relatório final.
Ao apresentar a denúncia, porém, a PGR não teria feito essa distinção entre o uso de recursos próprios e o gerenciamento da arrecadação, tratando a conduta como participação no financiamento da caravana.
A denúncia foi aceita com base nos mesmos cinco crimes atribuídos aos demais réus e aos núcleos da suposta tentativa de golpe: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Defesa afirma que Richard não estava em Brasília
Ao tentar rejeitar a denúncia, a defesa afirmou que Richard era “pessoa íntegra, de bons antecedentes, que jamais respondeu qualquer processo crime”.
O advogado José Aristeu de Sousa também afirmou que o cliente não estava em Brasília em 8 de janeiro de 2023 e, por isso, não haveria provas nos autos de sua entrada na Praça dos Três Poderes.
O ônibus utilizado na viagem tinha 35 passageiros, dos quais 30 foram presos durante ou logo após os atos. O nome de Richard não consta na lista de passageiros, informação utilizada pela defesa para reforçar a alegação de que ele não estava em Brasília.
Com informações de Gazeta do Povo.