O conselho de supervisão do Grupo Volkswagen aprovou por unanimidade, na quinta-feira (3), o Plano Futuro 2030, uma das maiores reestruturações da história da montadora.
A medida ocorre em meio à instabilidade enfrentada pela Volkswagen e por outras fabricantes de veículos, principalmente devido à queda das vendas na China e ao aumento das tarifas dos Estados Unidos.
O Plano Futuro 2030 estabelece 12 iniciativas para fortalecer o grupo. Segundo a montadora, as medidas serão conduzidas pela diretoria executiva em conjunto com as marcas, subsidiárias e representantes dos funcionários e terão início imediato.
Corte de empregos
A Volkswagen prevê o corte de aproximadamente 50 mil trabalhadores, incluindo cargos de gestão. A empresa afirma que as demissões são necessárias para cumprir os objetivos do programa de transformação e preservar a competitividade do grupo.
“Diante da intensificação da concorrência global, da mudança na demanda e das transformações tecnológicas na indústria automotiva, um alinhamento consistente da capacidade da força de trabalho com a realidade econômica é essencial”, afirmou a montadora.
Quatro fábricas na Alemanha estão sob avaliação
A Volkswagen ainda não decidiu pelo fechamento de quatro fábricas na Alemanha. A definição deverá ocorrer até o fim de junho de 2027.
O conselho de supervisão reconhece que a capacidade produtiva europeia do grupo atualmente supera a demanda em mais de 500 mil unidades.
Segundo a montadora, não é possível garantir uma alocação de produção competitiva para as fábricas de Emden, Zwickau, Hanôver e Neckarsulm entre 2031 e 2034. Ao mesmo tempo, a empresa avalia possíveis utilizações alternativas para essas unidades.
Portfólio de modelos será reduzido
Até 2035, o Grupo Volkswagen pretende simplificar seu portfólio de modelos em cerca de 50% e reduzir a complexidade da oferta em aproximadamente 75%.
A estratégia prevê concentração nos produtos considerados mais atraentes pela empresa, com uma gama menor de modelos e versões. Segundo a Volkswagen, a medida deve aumentar os volumes por modelo, reduzir custos e ampliar as economias de escala.
A mudança também está relacionada aos rumores sobre uma possível descontinuação da marca Seat até 2030.
Estratégia para China e Estados Unidos
Diante dos desafios nos mercados chinês e norte-americano, a Volkswagen afirma que concentrará esforços nos segmentos mais rentáveis.
Na China, o grupo pretende se adaptar às novas expectativas de crescimento do mercado automotivo e ampliar as exportações para países do Sul Global.
Investimentos até 2031
O Grupo Volkswagen planeja manter as vendas anuais em aproximadamente 9 milhões de veículos, mesmo volume comercializado no ano fiscal de 2025.
Entre 2027 e 2031, estão previstos investimentos de € 135 bilhões em capital e pesquisa e desenvolvimento.
“Este é um forte sinal para o futuro do Grupo Volkswagen. Estamos assumindo a responsabilidade por toda a nossa força de trabalho, pelos nossos parceiros e pelos empregos industriais em todo o mundo. Nos próximos anos, investiremos uma quantia de três dígitos bilionários para tornar nossas marcas icônicas ainda mais atraentes, fortes e competitivas”, afirmou Oliver Blume, CEO do Grupo Volkswagen.
Com informações de Quatro Rodas
