O ex-presidente da Colômbia Gustavo Petro afirmou, nesta quarta-feira (2), que a vitória do atual presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, teria sido influenciada pela atuação de “algoritmos” e pelo que chamou de “tecnofascismo”. Petro fez as declarações sem apresentar provas que comprovem a acusação.
Durante uma aula magna na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), o ex-mandatário afirmou que o mesmo cenário poderia se repetir nas eleições brasileiras de outubro e no processo eleitoral mexicano de 2027.
“É o sistema que se quer expandir, e não está certo. O México está em perigo, e o Brasil vem aí. Esses métodos têm legitimação na classe política que está dirigindo atualmente os Estados Unidos” – disse o político de esquerda.
A palestra ocorreu com o auditório lotado e começou com quase duas horas de atraso. Antes do evento, Petro se reuniu com a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, no Palácio Nacional.
O ex-presidente não detalhou o conteúdo da conversa, mas afirmou que os dois trataram de temas relacionados à esquerda e ao “humanismo” na formulação de políticas públicas. Segundo Petro, Sheinbaum também teria sugerido que ele participasse de “coordenações intelectuais acadêmicas” no México, proposta que ele recusou por decidir permanecer na Colômbia.
Acusações sobre as eleições colombianas
Durante a conferência, Petro voltou a mencionar um suposto sistema formado por 2 milhões de bots que, segundo ele, teria atuado durante as eleições colombianas sob a mira do Departamento de Estado dos Estados Unidos, então comandado por Marco Rubio, com o objetivo de favorecer De la Espriella.
– [O presidente dos EUA, Donald] Trump não pode dizer que não sabia, ele mesmo disse publicamente “que o Tigre [apelido de De la Espriella] deve me agradecer porque é presidente da Colômbia graças a mim” – afirmou.
A vitória de De la Espriella, porém, foi oficialmente confirmada pelo Conselho Nacional Eleitoral colombiano após a conclusão do escrutínio. Ele recebeu 12.960.166 votos, contra 12.708.312 de Iván Cepeda, uma diferença de 251.854 votos.
Petro também afirmou, sem apresentar provas, que mecanismos semelhantes teriam influenciado as eleições recentes do Peru e do Chile, vencidas respectivamente por Keiko Fujimori e José Antonio Kast.
Em seu discurso, o ex-presidente colombiano ainda mencionou o senador Iván Cepeda, seu aliado político, como o legítimo presidente da Colômbia, por considerar que ele foi o verdadeiro vencedor da disputa presidencial.
Críticas às grandes empresas de tecnologia
A palestra de Petro na UNAM teve como tema central assuntos abordados no último capítulo de seu livro, Economia Política da Crise Climática.
Ao falar sobre a obra, o ex-presidente criticou a acumulação de capital e o neoliberalismo, que, segundo sua avaliação, representam uma ameaça à humanidade.
Petro também direcionou críticas às grandes empresas de tecnologia e a alguns de seus principais líderes, entre eles Mark Zuckerberg, da Meta, e Elon Musk, da SpaceX.
Com informações de Pleno News.