O senador Carlos Viana (PSD-MG), autor de um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, afirmou que a divulgação do relatório da Polícia Federal sobre as mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro reforça, na avaliação dele, a necessidade de investigar a atuação do magistrado.
Em entrevista ao programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, Viana também questionou o apagamento de mensagens de um telefone institucional do Supremo Tribunal Federal (STF) e fez uma comparação com uma decisão de Moraes no processo relacionado aos atos de 8 de janeiro.
Senador questiona mensagens apagadas
Ao falar sobre o assunto, Viana citou o caso de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do Batom”, e afirmou que Moraes teria considerado o apagamento de mensagens como um indício de crime.
“A questão das mensagens apagadas que ele usou para condenar no [caso do] 8 de Janeiro uma personagem famosa, a Débora do Batom. Ele escreveu que apagar a mensagem é indício de crime”, afirmou.
Em seguida, o senador relacionou a questão às mensagens envolvendo Vorcaro.
“As mensagens do Vorcaro estão todas elas preservadas, mas as mensagens do telefone do Supremo Tribunal Federal, um telefone institucional, essas foram apagadas. É indício de crime”, disse.
Viana ressaltou que não pretende antecipar uma conclusão sobre a responsabilidade do ministro.
“Eu não estou antecipando culpa”, afirmou.
Segundo o senador, eventuais suspeitas devem ser apuradas de forma “com responsabilidade” e “com transparência”, garantindo também o direito de defesa de Moraes.
Viana cita possível uso de informações para favorecer Vorcaro
Durante a entrevista, o senador defendeu que seja investigada a hipótese de Alexandre de Moraes ter utilizado informações obtidas em razão do cargo para beneficiar Daniel Vorcaro.
Viana mencionou a possibilidade de eventual prática de “advocacia administrativa” e de uso da posição institucional para fornecer informações ao ex-banqueiro. Segundo ele, caso essas suspeitas sejam comprovadas, o Senado deveria avaliar o afastamento do ministro.
O senador também citou as relações de Vorcaro com integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal (PF). Na avaliação de Viana, a amplitude dos contatos do ex-banqueiro com autoridades justificaria uma investigação mais ampla no Senado.
As declarações representam a posição do senador e não constituem, por si só, comprovação de crime ou irregularidade. Eventuais responsabilidades dependem da apuração e da análise das autoridades competentes.
Com informações de VEJA.