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Órbita baixa da Terra fica cada vez mais congestionada com milhares de satélites, segundo especialista 

Por Junior Melo
31/ago/2026
Em Mundo
Mais de 41 mil satélites podem ser lançados até 2034, pressionando uma órbita onde detritos já ameaçam espaçonaves e satélites. - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Mais de 41 mil satélites podem ser lançados até 2034, pressionando uma órbita onde detritos já ameaçam espaçonaves e satélites. - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

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A órbita baixa da Terra está cada vez mais congestionada. Segundo informações do The Wall Street Journal, mais de 34 mil satélites e fragmentos de detritos circulam atualmente pela região, aumentando o risco de colisões capazes de danificar ou destruir espaçonaves.

A SpaceX está entre as empresas que mais contribuem para o crescimento desse número. A companhia já mantém mais de 10 mil objetos relacionados à Starlink em órbita e utiliza sistemas autônomos para realizar manobras quando há risco de colisão.

Uma “rodovia espacial”

A órbita baixa da Terra compreende altitudes entre aproximadamente 160 e 1.930 quilômetros. Nessa região, objetos podem atingir velocidades de cerca de 28 mil km/h, completando uma volta ao redor do planeta em aproximadamente 90 a 120 minutos.

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A maior parte dos mais de 10 mil objetos associados à Starlink é formada por satélites ativos, utilizados pela SpaceX para fornecer internet de alta velocidade.

Os equipamentos enviam informações de localização à empresa, que afirma compartilhar continuamente esses dados com militares e outros operadores enquanto calcula possíveis aproximações.

Quando a probabilidade de colisão ultrapassa três em 10 milhões, um satélite Starlink pode alterar automaticamente sua trajetória. O sistema utiliza propulsão própria e softwares de prevenção de colisões para realizar as manobras.

Número de satélites deve aumentar

A quantidade de equipamentos em órbita baixa pode crescer significativamente nos próximos anos. Pelo menos 41 mil novos satélites estão previstos para serem lançados entre 2026 e 2034. Cerca de dois terços desse total devem pertencer à SpaceX, à Amazon e a empresas chinesas.

Outra possibilidade é o desenvolvimento de centros de dados orbitais, formados por grupos de satélites equipados com chips voltados à inteligência artificial. Segundo o analista Dallas Kasaboski, da Analysys Mason, esse mercado poderia elevar o número total de satélites para aproximadamente 1,5 milhão.

Entre os principais fatores de preocupação estão o aumento do número de satélites, a necessidade crescente de manobras de desvio, a existência de detritos pequenos demais para serem rastreados e a possibilidade de novas colisões gerarem ainda mais fragmentos.

Colisões podem gerar milhares de fragmentos

Apesar de colisões ainda serem consideradas incomuns, a Agência Espacial Europeia registra quatro casos envolvendo objetos catalogados.

Um dos episódios mais conhecidos ocorreu em 2009, quando um satélite da Iridium Communications colidiu com um satélite russo de comunicações que estava desativado. O impacto produziu cerca de 1.800 fragmentos com pelo menos 10 centímetros.

Objetos ainda menores também representam risco. Radares conseguem acompanhar detritos aproximadamente do tamanho de uma bola de softball ou maiores, mas partículas menores podem não ser detectadas.

Segundo Mark Matney, cientista planetário do programa de detritos orbitais da NASA, até mesmo um fragmento do tamanho de uma partícula de tinta pode causar danos a um satélite devido à alta velocidade dos objetos em órbita.

O desafio da ocupação espacial

Para Jonny Dyer, CEO da Muon Space, o principal problema não está necessariamente na quantidade de objetos, mas na forma como os operadores atuam no espaço.

“Para mim, o risco não é o número. É se existem atores mal-intencionados fazendo coisas ruins de propósito ou sendo negligentes”, afirmou.

A própria SpaceX reconhece o aumento dos riscos à medida que a quantidade de equipamentos cresce. Em documento relacionado à sua oferta pública, a empresa afirmou que o aumento de satélites e outros objetos na órbita baixa eleva a possibilidade de colisões acidentais, eventos de fragmentação e outros incidentes.

O astrofísico Jonathan McDowell resumiu a preocupação ao afirmar ao The Wall Street Journal: “Na minha opinião, estamos operando na densidade máxima que pode ser operada com segurança”.

Com pelo menos 41 mil novos satélites previstos até 2034 e a possibilidade de o número chegar a 1,5 milhão com os futuros centros de dados orbitais, o desafio será administrar uma região cada vez mais congestionada e reduzir o risco de colisões que possam gerar uma reação em cadeia de novos detritos.

Com informações de Olhar Digital.

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