A confirmação de casos humanos de Febre do Nilo Ocidental no Brasil aumentou a atenção para uma doença ainda pouco conhecida no país. A infecção é provocada pelo Vírus do Nilo Ocidental (VNO), transmitido principalmente pela picada de mosquitos infectados.
Na maioria das pessoas, a infecção não provoca sintomas ou causa apenas manifestações leves. Em uma parcela menor dos casos, porém, o vírus pode atingir o sistema nervoso e provocar complicações graves.
A doença pertence ao grupo das arboviroses e apresenta algumas características semelhantes a infecções como dengue, zika e chikungunya. A principal diferença está no ciclo de transmissão, que envolve principalmente aves e mosquitos.
O que é a Febre do Nilo Ocidental?
A Febre do Nilo Ocidental é uma doença viral causada pelo VNO, integrante da família dos flavivírus. O vírus foi identificado pela primeira vez em 1937, em Uganda, na região que deu origem ao nome da doença.
Com o passar das décadas, o vírus se espalhou para diferentes regiões do mundo e passou a ser registrado em diversos continentes.
Na natureza, o VNO circula principalmente entre aves e mosquitos. Os seres humanos e os equídeos, como cavalos, são considerados hospedeiros acidentais.
Como ocorre a transmissão?
A principal forma de infecção ocorre quando uma pessoa é picada por um mosquito que adquiriu o vírus ao se alimentar do sangue de uma ave infectada.
Mosquitos do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos ou muriçocas, estão entre os principais vetores relacionados à transmissão.
O ciclo pode ser resumido como ave → mosquito → ser humano. Diferentemente de doenças como dengue e zika, o ser humano não costuma apresentar níveis elevados do vírus no sangue capazes de manter a cadeia de transmissão.
A Febre do Nilo Ocidental também não é normalmente transmitida entre pessoas por contato cotidiano, como abraços, beijos, tosse ou espirros.
Existem formas raras de transmissão entre humanos, incluindo transfusão de sangue, transplante de órgãos e transmissão da mãe para o bebê durante a gestação.
Quais são os sintomas?
Grande parte das pessoas infectadas não apresenta sintomas. Entre aqueles que desenvolvem manifestações clínicas, os sintomas podem incluir:
- Febre;
- Dor de cabeça;
- Dores musculares;
- Náusea;
- Vômitos;
- Diarreia;
- Mal-estar.
Na maioria dos casos sintomáticos leves, a recuperação ocorre espontaneamente.
Entretanto, uma pequena parcela dos infectados pode desenvolver a chamada doença neuroinvasiva, quando o vírus compromete o sistema nervoso. Entre as complicações possíveis estão encefalite e outras manifestações neurológicas.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico depende da avaliação médica e de exames laboratoriais. A identificação pode ser difícil porque os sintomas iniciais são semelhantes aos de outras doenças transmitidas por mosquitos.
Exames podem detectar anticorpos produzidos pelo organismo contra o vírus. Em determinadas situações, também pode ser utilizado o teste molecular RT-PCR para procurar diretamente o material genético do vírus.
A investigação tende a ser ainda mais complexa quando há sintomas neurológicos, pois outras infecções também podem provocar quadros semelhantes.
Até o momento, não existe vacina de uso humano nem tratamento antiviral específico amplamente disponível contra a Febre do Nilo Ocidental. O atendimento é baseado principalmente no controle dos sintomas e em medidas de suporte.
Quando o vírus chegou ao Brasil?
Os primeiros indícios da presença do VNO no Brasil surgiram antes da confirmação de casos humanos. Em 2009, pesquisadores identificaram anticorpos contra o vírus em animais no Pantanal.
O Ministério da Saúde registrou posteriormente um caso humano no Piauí, em 2014. Anos depois, em 2018, pesquisadores conseguiram isolar o vírus no país a partir de uma amostra coletada de um cavalo que morreu no Espírito Santo.
A presença do vírus em animais, entretanto, não significa necessariamente que exista transmissão contínua entre pessoas. Para determinar se há circulação sustentada, é necessário investigar a presença do vírus em aves, mosquitos e outros animais, além dos casos humanos.
O que se sabe sobre os casos recentes no Brasil?
Casos humanos registrados recentemente em diferentes estados levaram as autoridades a ampliar as investigações epidemiológicas.
Em Santa Catarina, uma mulher de 77 anos morreu após apresentar uma forma grave da doença. Outro paciente, um homem de 56 anos, foi diagnosticado e recebeu alta após internação.
Em São Paulo, foram identificados casos em Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. As autoridades investigam os possíveis locais de infecção e procuram identificar se existe circulação do vírus nas regiões envolvidas.
As investigações também incluem a vigilância de mosquitos e animais, especialmente aves, para verificar se existe um ciclo de transmissão ativo.
Até que esses estudos sejam concluídos, os casos registrados isoladamente não permitem afirmar, por si só, que exista uma transmissão sustentada do Vírus do Nilo Ocidental entre pessoas no Brasil.
A doença pode matar?
A maioria das infecções não evolui para quadros graves. O maior risco está associado às formas neuroinvasivas da doença.
A idade avançada e condições que comprometem o sistema imunológico estão entre os fatores relacionados a maior risco de complicações.
Por isso, embora a maioria das pessoas infectadas apresente quadro leve ou nenhum sintoma, pacientes que desenvolvem manifestações neurológicas precisam de avaliação médica e acompanhamento adequado.
Como se prevenir?
Como a principal forma de transmissão ocorre por meio de mosquitos, a prevenção está relacionada principalmente à redução do contato com esses insetos.
Entre as principais medidas estão:
- Usar repelente;
- Preferir roupas que cubram braços e pernas em áreas de maior exposição;
- Instalar telas em portas e janelas;
- Evitar exposição aos mosquitos, especialmente nos períodos de maior atividade dos insetos;
- Eliminar recipientes que possam acumular água;
- Manter ambientes limpos e reduzir possíveis criadouros de mosquitos;
- Evitar tocar ou manipular animais encontrados mortos.
O controle dos mosquitos também depende de medidas de vigilância e ações das autoridades sanitárias.
Embora o Culex seja um dos principais vetores associados ao Vírus do Nilo Ocidental, medidas de controle de mosquitos também contribuem para reduzir a presença de outros vetores importantes de doenças no país.
Com informações de G1.
