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Início Mundo

ALERTA: Atração radical nos EUA é ligada a lesões cerebrais e mortes, VEJA

Por Junior Melo
27/ago/2026
Em Mundo
• Six Flags Magic Mountain/Reprodução

• Six Flags Magic Mountain/Reprodução

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Duas mulheres precisaram passar por cirurgias de emergência depois de sofrerem graves lesões cerebrais após andar na X2, uma das principais montanhas-russas do parque Six Flags Magic Mountain, em Valencia, na Califórnia, nos Estados Unidos.

Os casos aconteceram com apenas seis dias de diferença, em julho de 2026. A proximidade entre os episódios colocou novamente em evidência o histórico de acidentes e processos relacionados à atração, que está fechada desde 12 de julho e é alvo de uma investigação das autoridades estaduais.

A X2 é uma montanha-russa conhecida por seus assentos que giram independentemente dos trilhos. Durante o percurso, os passageiros são submetidos a quedas, curvas e rotações de 360 graus, com velocidade que chega a aproximadamente 130 km/h. O próprio Six Flags descreve a atração como uma experiência de alta intensidade.

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Dois casos graves em menos de uma semana

A primeira ocorrência envolveu Pamela Guillen, de 40 anos, que estava no parque com a família para comemorar o aniversário de 16 anos da filha.

Segundo registros médicos e de atendimento de emergência analisados na investigação da CNN, Guillen bateu repetidamente a cabeça contra o apoio do assento durante o trajeto. Ao retornar à estação, ela apresentou vômitos, precisou de ajuda para sair do brinquedo e posteriormente perdeu a consciência.

No hospital, exames identificaram um hematoma subdural grave e compressão do cérebro. Guillen foi submetida a uma cirurgia de emergência, que incluiu a retirada de parte do crânio para aliviar a pressão intracraniana.

Ela permaneceu inconsciente por cerca de duas semanas e, depois de recuperar a consciência, precisou reaprender movimentos como caminhar e falar. A vítima também relatou continuar enfrentando dores de cabeça e dificuldades cognitivas durante a recuperação.

Seis dias depois, Naomi Greer-Wilkinson, de 25 anos, também passou pela X2. Ela estava no parque com os irmãos quando perdeu a consciência pouco depois de deixar a atração.

Greer-Wilkinson foi levada ao hospital e submetida a uma cirurgia cerebral de emergência. Segundo informações fornecidas pela família, ela permaneceu em estado crítico, em coma e dependente de ventilação mecânica e alimentação por sonda durante a investigação publicada pela CNN.

Os médicos que atenderam as duas mulheres avaliaram que as lesões eram compatíveis com um evento de aceleração e desaceleração rápida ocorrido durante o funcionamento da X2. Três neurocirurgiões envolvidos nos atendimentos apresentaram essa avaliação profissional.

Atração tem histórico de acidentes

Os episódios de julho não são os primeiros casos graves associados à X2.

Documentos médicos, judiciais e registros internos analisados na investigação apontam que a atração foi relacionada a mais de uma dezena de relatos de lesões graves ao longo de quase duas décadas. Entre os casos estão pessoas que sofreram traumatismos cerebrais, ficaram em coma ou tiveram sequelas permanentes.

Também há registros de duas mortes associadas à atração.

Em 2010, Hilda Farias, de 28 anos, morreu depois de andar na X2. Na época, médicos levantaram a possibilidade de que uma alteração cerebral tivesse se rompido em razão da intensidade da atração. A família entrou com uma ação judicial, posteriormente encerrada por meio de um acordo.

Em 2022, Christopher Hawley, de 22 anos, morreu após sofrer um grave trauma cerebral depois de andar na X2. Segundo documentos judiciais, ele perdeu a consciência pouco depois de sair da atração e foi levado ao hospital, onde os médicos identificaram um sangramento cerebral severo. Ele morreu menos de dez horas depois.

Documentos apresentados em processos também apontaram que a Six Flags havia recebido dezenas de reclamações relacionadas a dores ou lesões na cabeça e no pescoço antes da morte de Hawley. Uma declaração de um especialista que analisou registros internos mencionou pelo menos 70 reclamações desse tipo nos três anos anteriores ao caso.

Processos questionam segurança da montanha-russa

Ao longo dos anos, passageiros e familiares de vítimas entraram com ações judiciais relacionadas a lesões supostamente provocadas pela X2.

Em processos, advogados ligados à Six Flags defenderam a segurança da atração e argumentaram que os passageiros são informados sobre os riscos inerentes aos brinquedos. A empresa também sustentou que a força exercida sobre uma pessoa que utiliza a atração corretamente não seria suficiente para provocar uma lesão cerebral traumática em um passageiro considerado saudável.

Especialistas ouvidos na investigação, porém, apresentaram avaliações diferentes.

Brian Avery, professor da Universidade da Flórida especializado em segurança de atrações e gerenciamento de riscos, afirmou que a repetição de lesões cerebrais associadas ao mesmo brinquedo representa um sinal que deveria levar a uma análise mais ampla da segurança da atração.

Os três neurocirurgiões que atenderam as vítimas de julho também relacionaram as lesões aos movimentos de aceleração e desaceleração experimentados durante a X2.

X2 está fechada desde julho

A Six Flags interrompeu o funcionamento da X2 na noite de 12 de julho, um dia depois do segundo caso grave.

A Divisão de Segurança e Saúde Ocupacional da Califórnia, conhecida como Cal/OSHA, confirmou que abriu uma investigação sobre o incidente envolvendo a atração. A agência informou que, enquanto a apuração estiver em andamento, não divulgará detalhes adicionais.

Em agosto, a atração continuava fechada. A Six Flags confirmou que o brinquedo permanecia fora de operação, mas não apresentou publicamente detalhes sobre a investigação.

Outros relatos chamaram atenção

Além dos casos mais recentes e das duas mortes, processos judiciais registram outros passageiros que afirmaram ter sofrido problemas de saúde depois de utilizar a X2.

Em 2014, Selena O’Neill, então com 17 anos, apresentou dores de cabeça, dificuldades para caminhar e outros sintomas depois de andar na atração. Ela posteriormente foi diagnosticada com um hematoma subdural.

Em 2020, Sheila Katerelos relatou ter batido a cabeça contra o apoio do assento durante o percurso. Depois da experiência, apresentou náusea, tontura e alterações na fala e nos movimentos. Segundo documentos judiciais, ela foi internada por cinco dias e diagnosticada com lesão cerebral traumática e múltiplos hematomas subdurais.

No ano seguinte, Lucy Alvarez também afirmou ter sofrido uma lesão cerebral traumática depois de andar na X2. Segundo registros médicos apresentados no processo, ela foi diagnosticada com um hematoma subdural traumático.

Os processos relacionados a esses episódios apresentaram versões divergentes sobre as causas das lesões e sobre a responsabilidade da empresa.

Uma atração incomum

A X2 possui uma configuração diferente das montanhas-russas tradicionais. Seus assentos são instalados nas laterais da estrutura e podem realizar rotações de 360 graus durante o percurso.

A atração original, chamada X, foi inaugurada em 2002. Posteriormente, passou por uma grande reformulação e retornou ao funcionamento em 2008 com o nome X2.

O modelo é considerado raro no mundo devido ao sistema de movimentação dos assentos. O próprio Six Flags destaca que a experiência inclui rotações, quedas e mudanças bruscas de direção.

Agora, enquanto as autoridades da Califórnia investigam os acontecimentos, a X2 permanece fora de operação.

Os casos de Pamela Guillen e Naomi Greer-Wilkinson reacenderam o debate sobre os limites de segurança de atrações de alta intensidade e sobre a necessidade de avaliar não apenas os padrões técnicos dos brinquedos, mas também os efeitos dos movimentos sobre os passageiros.

Com informações de CNN Brasil

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