A Meta, empresa responsável pelo Instagram, foi condenada pela Justiça de São Paulo a pagar R$ 50 mil à modelo Milla Vieira, vencedora do Miss Universe São Paulo em 2024. A decisão ocorreu após a plataforma não remover integralmente comentários racistas publicados contra a modelo depois de sua vitória.
Milla, que é negra, foi alvo de mensagens ofensivas nas redes sociais. Parte dos ataques tentou atribuir sua conquista, de forma depreciativa, à existência de cotas raciais.
A modelo acionou a Justiça para pedir a retirada dos conteúdos. Segundo o advogado Eduardo Lemos Barbosa, uma decisão liminar determinou que a Meta removesse as publicações em até cinco dias. A empresa, porém, teria excluído apenas parte das mensagens.
De acordo com a defesa, a plataforma alegou dificuldades para identificar alguns dos responsáveis pelos comentários, incluindo usuários que seriam menores de idade. Diante do descumprimento parcial da determinação judicial, a multa prevista na decisão foi aplicada.
O processo tramita na 2ª Vara Cível de São Paulo, no Foro Regional do Tatuapé. A Meta ainda pode recorrer da decisão.
Modelo afirma ter passado por momentos difíceis
Milla contou que enfrentou um período difícil após os ataques e afirmou que decidiu buscar medidas judiciais para responsabilizar a plataforma.
Segundo ela, a decisão representa não apenas uma conquista pessoal, mas também um incentivo para outras vítimas de ataques racistas nas redes sociais procurarem seus direitos.
A modelo afirmou ainda que recebeu apoio de pessoas que passaram a acompanhá-la justamente depois de ela denunciar publicamente as agressões.
Vitória no concurso gerou ataques
Milla Vieira representou São Bernardo do Campo no Miss Universe São Paulo de 2024. Ela venceu a competição após disputar a fase final com outras quatro candidatas. Marjorie Rossi, representante de São Caetano do Sul, ficou com o segundo lugar.
Pouco depois da coroação, começaram a surgir comentários ofensivos nas redes sociais. Além de questionarem a aparência da vencedora, algumas mensagens afirmavam que o resultado teria relação com políticas de cotas raciais.
Na época, a organização do concurso repudiou os ataques e declarou que a vitória de Milla ocorreu dentro dos critérios estabelecidos pela competição.
A entidade também manifestou solidariedade à modelo e classificou as mensagens racistas como graves.
