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Início Brasil

BOMBA: lobista de Lulinha tentou vender ao governo 600 milhões em remédio a base de “maconha”

Por Junior Melo
20/ago/2026
Em Brasil
A lobista Roberta Luchsinger — Foto: Reprodução/Redes sociais

A lobista Roberta Luchsinger — Foto: Reprodução/Redes sociais

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Documentos obtidos pela Polícia Federal apontam que a lobista Roberta Luchsinger teria apresentado ao governo federal uma proposta para fornecer mais de R$ 600 milhões em medicamentos à base de canabidiol.

Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, o projeto previa a entrega de mais de 1 milhão de frascos, distribuídos em 36 tipos diferentes de medicamentos, ao Ministério da Saúde. A contratação seria realizada sem licitação.

A minuta do possível contrato teria sido encaminhada por Roberta ao então chefe de gabinete da Presidência da República, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.

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Proposta previa dispensa de licitação

Áudios e documentos apreendidos durante as investigações indicam que os envolvidos avaliavam utilizar uma situação de emergência como justificativa para dispensar a realização de licitação pelo Ministério da Saúde.

A proposta teria como objetivo criar um estoque centralizado de medicamentos para atender pacientes que obtivessem decisões judiciais determinando o fornecimento de tratamentos à base de cannabis medicinal pela rede pública.

As investigações também apontam que Roberta mantinha contato com o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, para tentar intermediar a comercialização dos produtos ao governo federal.

Segundo a apuração, o grupo estudava apresentar ao Ministério da Saúde um termo de referência já elaborado como forma de viabilizar a contratação direta.

Marcola diz que não deu andamento

Marco Aurélio Santana Ribeiro confirmou que recebeu a mensagem encaminhada pela lobista. O ex-chefe de gabinete, porém, afirmou a interlocutores que não levou a proposta adiante e negou ter favorecido o grupo empresarial envolvido na negociação.

O Ministério da Saúde também negou que tenha existido uma possibilidade de contratação para fornecimento de canabidiol.

Em posicionamento sobre o caso, a pasta informou que o produto não faz parte dos tratamentos incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS), que não possui contratos para aquisição da substância e que a atual gestão não abriu discussões sobre uma eventual contratação.

Lobista teria buscado lucro de 20%

Diálogos apreendidos pela Polícia Federal também indicariam que Roberta Luchsinger buscava obter 20% de lucro na negociação envolvendo a venda de cannabis medicinal ao governo federal.

Em trechos de conversas obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, a lobista menciona o advogado Otto Medeiros como possível sócio do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques e atribui a ele influência que poderia ser utilizada nas negociações relacionadas aos contratos de cannabis.

Kassio Nunes Marques, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou ter qualquer sociedade empresarial com Otto Medeiros. O ministro confirmou apenas que mantém amizade com o advogado.

As informações fazem parte das investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre as relações de Roberta Luchsinger e outros envolvidos com negociações e possíveis contratos junto ao governo federal.

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