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Início Brasil

EX-controlador da Reag está perto de fechar acordo de delação com a PGR, CONFIRA

Por Junior Melo
19/ago/2026
Em Brasil
João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos — Foto: Anna Carolina Negri / Valor

João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos — Foto: Anna Carolina Negri / Valor

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O empresário João Carlos Mansur, fundador e ex-controlador da Reag Investimentos, está próximo de formalizar um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo informações apuradas pelo portal Oeste, as negociações avançaram nas últimas semanas e as partes já teriam chegado a um entendimento sobre a maior parte dos termos do eventual acordo.

Mansur é alvo de investigações em duas frentes principais. Uma delas está relacionada ao Banco Master e ao seu ex-controlador, Daniel Vorcaro. A outra envolve a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025 para investigar suspeitas de fraudes, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.

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Negociações para colaboração

As conversas para um possível acordo começaram ainda no fim de 2025. A defesa de Mansur chegou a apresentar uma proposta ao Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo, mas as tratativas não avançaram naquele momento.

Também houve negociações com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), dentro das investigações da Operação Carbono Oculto.

Na época, investigadores já avaliavam a possibilidade de que uma eventual colaboração de Mansur pudesse incluir informações relacionadas ao Banco Master. A apuração envolvendo a instituição financeira está sob responsabilidade da PGR e é acompanhada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com o Oeste, Daniel Vorcaro seria o principal alvo das informações que poderiam ser apresentadas por Mansur no acordo.

Relação com o Banco Master

Em janeiro, Mansur se tornou alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura, entre outros pontos, a utilização de fundos de investimento em operações relacionadas ao patrimônio do Banco Master.

Um relatório elaborado pelo Banco Central e encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU) apontou possíveis irregularidades em operações realizadas pelo Master com fundos administrados pela Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.

Segundo o documento, as transações consideradas suspeitas chegariam a R$ 11,5 bilhões e apresentariam problemas considerados graves em relação às regras do Sistema Financeiro Nacional.

Outra operação também aproximou Mansur do Banco Master. Em abril de 2025, o empresário adquiriu ações do Banco de Brasília (BRB) por meio do Celeno, fundo administrado pelo Master.

Em documento enviado ao Banco Central, o BRB registrou que o então controlador da Reag havia adquirido 20.320.952 recibos de ações preferenciais e 1.817.063 ações ordinárias da instituição.

As ações ordinárias, em geral, dão direito de voto aos acionistas. Já os recibos citados no documento representavam ações preferenciais, que normalmente possuem prioridade no recebimento de dividendos, embora possam ter direitos políticos diferentes dos conferidos às ações ordinárias.

Mansur e Vorcaro chegaram a ser representados pelo mesmo advogado

A proximidade entre Mansur e Vorcaro também apareceu durante as tentativas do ex-controlador do Banco Master de negociar um acordo de colaboração.

Em março, investigadores chegaram a considerar a possibilidade de que os dois empresários prestassem depoimentos coordenados. Naquele período, ambos eram representados pelo advogado José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca.

A possibilidade discutida era que cada um tivesse seu próprio acordo, com informações que eventualmente pudessem se complementar.

As negociações de Vorcaro, porém, enfrentaram dificuldades. Em julho, a PGR e a Polícia Federal encerraram novas tratativas depois que uma segunda proposta de colaboração apresentada pelo ex-controlador do Master foi rejeitada.

Investigação da Operação Carbono Oculto

Além do caso relacionado ao Banco Master, Mansur é investigado no âmbito da Operação Carbono Oculto, que colocou estruturas financeiras ligadas à Reag no centro de apurações sobre o uso de fundos de investimento para ocultação de patrimônio.

Deflagrada em agosto de 2025, a operação investiga suspeitas de fraudes tributárias e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. A apuração também busca identificar uma possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) na economia formal.

As investigações alcançaram estruturas financeiras relacionadas a Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco.

Fundos administrados pela Reag aparecem entre as estruturas analisadas pelos investigadores.

Após a deflagração da operação, Mansur deixou o controle da empresa. Em setembro de 2025, a Reag informou ao mercado que 87,38% do capital pertencente ao empresário havia sido vendido à Arandu Capital Holding, controlada por executivos da própria gestora.

Banco Central liquida Reag Trust

Em janeiro deste ano, após a segunda fase da Operação Compliance Zero, o Banco Central determinou a liquidação da Reag Trust DTVM.

A autoridade monetária justificou a decisão com base no comprometimento da situação econômico-financeira da instituição e na identificação de graves violações às normas que regulam o Sistema Financeiro Nacional.

Mansur nega ter cometido irregularidades. Durante depoimento à CPI do Crime Organizado do Senado, em 11 de março, o ex-controlador da Reag também negou qualquer ligação entre a gestora e o PCC.

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