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Início Brasil

Urgente: Lula admite está com câncer

Por Junior Melo
17/ago/2026
Em Brasil, Política
Lula passou por exames após crise de labirintite — Foto: Raul Luciano/Ato Press/Estadão Conteúdo

Lula passou por exames após crise de labirintite — Foto: Raul Luciano/Ato Press/Estadão Conteúdo

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu início neste domingo (16), em São Bernardo do Campo (SP), à campanha pela reeleição. Durante o discurso, realizado no Estádio Municipal 1º de Maio, o petista adotou um tom de confronto com a direita, criticou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e apresentou propostas para um eventual quarto mandato.

O evento ocorreu na antiga Vila Euclides, local marcado pela trajetória sindical de Lula e pelas grandes assembleias de metalúrgicos do ABC no final da década de 1970.

Durante o ato, Lula também revelou que está passando por radioterapia para tratar um câncer de pele localizado na região da cabeça.

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“Eu tô de chapéu. Primeiro, porque eu gosto de chapéu, mas hoje é porque eu fiz radioterapia na cabeça para cuidar de um câncer de pele e eu não posso tomar sol na cabeça”, afirmou.

Em seguida, o presidente retirou o chapéu diante dos apoiadores.

“Eu quero dizer para vocês que eu vou ousar a minha saúde e vou tirar o chapéu para todos vocês”, disse.

Lula critica direita e governo Bolsonaro

Ao falar sobre a candidatura, Lula afirmou que uma das principais razões para disputar um novo mandato é impedir que a direita retorne à Presidência.

“Enquanto for vivo, não vou parar de lutar e nem deixar que a direita volte a governar o país”, declarou.

Sem citar Jair Bolsonaro diretamente, o presidente voltou a criticar a condução do governo anterior durante a pandemia de Covid-19. Lula também pediu que os militantes comparem os indicadores de sua administração com os resultados registrados no governo anterior, especialmente nas áreas de emprego, inflação e educação.

“Uma direita que ficava dando risada das crianças que estavam morrendo por falta de remédio, uma direita que é responsável pela morte de 400 mil pessoas de Covid por irresponsabilidade com a vacina”, afirmou.

Na sequência, questionou:

“Se você rir de um velhinho que tá morrendo asfixiado por falta de ar, que futuro você quer para o povo brasileiro?”.

Discurso teve lembranças pessoais

Apesar da tentativa da campanha de manter um formato mais controlado para os discursos, Lula falou de improviso durante parte do evento. O presidente alternou assuntos políticos com relatos pessoais e lembranças de sua trajetória sindical e política.

O slogan apresentado para a campanha é “O Brasil pronto para mais”, acompanhado da frase “Onde tudo começou”.

Lula também mencionou o período em que esteve preso durante a Operação Lava Jato e fez uma crítica indireta ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que presidia a Corte em 2019.

Naquele ano, Lula teve negada a autorização para deixar a prisão e acompanhar o velório do irmão, Genival Inácio da Silva, conhecido como Vavá. O presidente comparou a situação à autorização que recebeu durante a ditadura militar para acompanhar o enterro de sua mãe, Eurídice Ferreira de Melo, a dona Lindu.

“No tempo da ditadura militar, um delegado de polícia permitiu que eu saísse da cadeia pra ir no enterro da minha mãe. Agora, no regime democrático, um juiz, um ministro que eu indiquei não permitiu que eu saísse da cadeia pra vir no enterro do meu irmão Vavá”, afirmou.

Na sequência, acrescentou:

“Numa demonstração de que os homens não são medidos por época, são medidos pelo caráter, pela dignidade, pela criação que ele teve de berço”.

Segurança pública e educação

Entre as propostas apresentadas para um possível novo mandato está a criação de um Ministério da Segurança Pública. A medida, segundo Lula, dependeria da aprovação da PEC da Segurança pelo Congresso Nacional.

A proposta prevê alterações na estrutura de coordenação da segurança pública e uma participação maior do governo federal no enfrentamento ao crime organizado.

O presidente defendeu que as ações de combate à criminalidade sejam acompanhadas por políticas sociais, especialmente investimentos em educação em tempo integral.

“Investir em educação é muito mais barato do que investir na cadeia para prender essas pessoas. Então nós temos que evitá-lo de virar bandido, dando oportunidade quando são crianças e adolescentes”, afirmou.

Lula também defendeu que as operações contra organizações criminosas alcancem os responsáveis pelo comando das quadrilhas, e não apenas integrantes que atuam nas comunidades.

“É fácil matar o bandido numa favela. Agora, o cara que manda tá no apartamento de cobertura. O cara que manda está morando no condomínio e nós precisamos acabar com eles para poder acabar com o debaixo”, disse.

Em outro momento, afirmou:

“Tem quadrilha que manda na vila, tem quadrilha que aporrinha a vida do povo e nós vamos libertar o povo prendendo todo mundo que acha que é dono de uma favela ou de um bairro pobre”.

Terras raras entram nas propostas econômicas

Lula também citou a exploração de terras raras e outros minerais considerados críticos como uma das prioridades para um eventual novo governo.

O presidente defendeu que o Brasil deixe de exportar matérias-primas sem processamento e passe a investir na transformação desses recursos dentro do próprio país, com produção de itens de maior valor agregado.

“A gente não quer exportar o mineral bruto para depois comprar as coisas prontas dele. Nós queremos extrair aqui, transformar aqui, industrializar aqui, produzir aqui, gerar emprego aqui e gerar riqueza”, afirmou.

Como exemplos, Lula mencionou a fabricação de chips e baterias a partir desses minerais. Ele também associou a exploração dos recursos naturais à soberania nacional diante das disputas econômicas internacionais.

“Eu não quero nem que os Estados Unidos, nem que a Rússia, nem que a China, nem que a França, nem que a Inglaterra, ninguém vai explorar os nossos minerais críticos. Nós é que vamos explorar em benefício do povo brasileiro”, declarou.

Presidente defende legado econômico

Durante o discurso, Lula também ressaltou os resultados de seu governo na economia, mas não apresentou medidas relacionadas a ajuste fiscal ou redução de gastos.

O presidente orientou os apoiadores a utilizarem dados sobre emprego, inflação e educação durante a campanha para comparar sua gestão com a administração de Jair Bolsonaro.

“Vocês têm que estar preparados para saber algumas coisas [sobre números da educação, emprego e inflação]”, afirmou.

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