Documentos estratégicos dos Estados Unidos apontam para uma ampliação da presença militar norte-americana nas Américas, com o objetivo de conter a influência da China e reforçar a atuação de Washington no Hemisfério Ocidental.
A estratégia ocorre às vésperas da disputa presidencial brasileira entre Lula e Flávio Bolsonaro e inclui iniciativas de combate ao crime organizado na região.
Cinco países latino-americanos — Guatemala, Honduras, Jamaica, Colômbia e Equador — já autorizaram a presença de militares norte-americanos em seus territórios para ações relacionadas ao combate ao narcotráfico. Eles fazem parte de uma coalizão formada por 19 países.
A iniciativa teve origem em uma reunião realizada em março, na Flórida, e ganhou força após os Estados Unidos passarem a classificar grupos ligados ao narcotráfico como organizações terroristas.
PCC e Comando Vermelho na lista dos EUA
Em maio, o Departamento de Estado norte-americano incluiu o PCC e o Comando Vermelho entre organizações latino-americanas classificadas pelos Estados Unidos como terroristas.
A medida ocorreu depois de Flávio Bolsonaro, então senador, apresentar em Washington um documento defendendo a inclusão dos grupos na lista.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, também afirmou que narcotraficantes serão tratados de maneira semelhante a organizações como Estado Islâmico e Al-Qaeda.
Operações militares no Caribe e no Pacífico
O Comando Sul dos EUA realizou dezenas de operações contra embarcações no Caribe e no Pacífico desde setembro. Segundo os dados apresentados no material, pelo menos 59 ataques deixaram 196 mortos.
As operações foram justificadas pelo governo norte-americano como ações contra o narcotráfico. No entanto, o texto aponta que o Pentágono não apresentou publicamente evidências de que todas as pessoas atingidas fossem integrantes de organizações criminosas.
Brasil pode entrar na coalizão
A possibilidade de uma aproximação maior entre Brasil e Estados Unidos dependerá do resultado das eleições de 2026.
O texto aponta que, em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, o Brasil poderia ser incluído na coalizão internacional de combate aos cartéis e, eventualmente, entre os países que autorizariam a presença de forças norte-americanas em seu território.
Essa possibilidade, porém, é uma projeção e não uma decisão anunciada pelo governo brasileiro ou pelos Estados Unidos.
A estratégia norte-americana também está relacionada à disputa geopolítica com a China, que ampliou sua influência econômica e diplomática na América Latina nos últimos anos.