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Início Saúde

Sangue humano pode ter sido usado em pinturas rupestres de 2 mil anos

Por Junior Melo
16/ago/2026
Em Saúde
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

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Pinturas rupestres com mais de 2 mil anos, encontradas no sul da China, podem ter sido produzidas com uma mistura que incluía sangue humano e animal. A possibilidade surgiu após pesquisadores identificarem proteínas associadas ao sangue em uma camada localizada entre o calcário e o pigmento vermelho.

O estudo, publicado em julho no Journal of Archaeological Science, analisou pinturas do complexo de Zuojiang Huashan, na região de Guangxi. O local reúne mais de 80 sítios de arte rupestre ao longo de aproximadamente 260 quilômetros e é reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco.

Sangue não era responsável pela cor

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Segundo os pesquisadores, a cor vermelha das pinturas vinha principalmente de argila rica em hematita, mineral à base de ferro. O sangue, por sua vez, teria integrado uma camada intermediária utilizada como aglutinante.

As análises identificaram três componentes principais: a parede de calcário, uma fina camada de preparação e o pigmento vermelho aplicado sobre ela.

A camada intermediária continha carbonato de cálcio, fosfato de cálcio e proteínas compatíveis com sangue. Os cientistas acreditam que essa mistura poderia ter ajudado a formar uma estrutura mineral compacta, mantendo as partículas de hematita presas à superfície.

Possível relação com práticas culturais

A análise das proteínas apontou sinais compatíveis tanto com sangue humano quanto animal. Os autores levantaram ainda a possibilidade de que parte do sangue humano pudesse estar relacionada a mulheres durante o parto, hipótese associada a práticas culturais e à importância da fertilidade entre os antigos Luoyue.

No entanto, essa interpretação permanece como hipótese. Os pesquisadores não conseguiram extrair DNA das amostras e, portanto, não é possível determinar quem forneceu o sangue, seu sexo ou de que maneira o material foi obtido.

A descoberta também pode ajudar a explicar a preservação das pinturas por milhares de anos em uma região de clima quente, úmido e com chuvas intensas, já que a mistura utilizada pelos antigos artistas pode ter contribuído para manter o pigmento aderido às paredes de calcário.

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