Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) participaram neste domingo (09) do primeiro debate entre os candidatos ao governo de São Paulo, promovido pela TV Bandeirantes. Segurança pública, educação e a situação da Cracolândia estiveram entre os principais assuntos discutidos pelos dois candidatos.
Em um confronto marcado por críticas e troca de acusações, os dois candidatos com chapas consideradas competitivas destacaram seus respectivos padrinhos políticos e questionaram as alianças dos adversários. O debate também evidenciou a polarização nacional entre os grupos ligados ao bolsonarismo e ao lulismo.
Segurança pública
A segurança pública ocupou espaço relevante ao longo do encontro. Fernando Haddad questionou números e resultados apresentados pela atual administração estadual e defendeu o avanço do uso de tecnologia e inteligência no combate à criminalidade.
Segundo o candidato petista, São Paulo estaria atrasado na utilização de ferramentas tecnológicas para enfrentar o crime.
“Estamos no tempo do telefone fixo em termos de inteligência artificial para combater o crime”, afirmou Haddad.
O candidato também criticou a atuação do governo estadual em relação à violência contra a mulher e aos crimes raciais.
“Estamos tendo uma epidemia de crimes contra a mulher”, declarou. “Crimes raciais estão explodindo em SP e você não tem sequer um discurso para combater isso que afeta 70% das pessoas de São Paulo.”
Tarcísio rebateu as críticas e citou medidas adotadas durante sua gestão, entre elas a ampliação das Delegacias da Mulher. O governador também defendeu os resultados alcançados pelas políticas de segurança implementadas no estado.
“A política pública está funcionando”, afirmou.
Cracolândia
A situação da Cracolândia voltou a aparecer no debate, tema recorrente nas disputas eleitorais pelo governo e pela Prefeitura de São Paulo.
Ao abordar as ações realizadas na região, Tarcísio citou a inauguração da Praça do Triunfo como uma das iniciativas de sua administração.
Questionado sobre o desempenho do programa Braços Abertos, criado durante sua gestão à frente da Prefeitura de São Paulo, Haddad afirmou que a iniciativa não tinha como finalidade combater o tráfico de drogas. Segundo ele, essa função cabe às forças de segurança.
O petista também destacou a participação do Ministério Público nas ações relacionadas à região.
“O Ministério Público foi essencial”, afirmou. “Sem o Ministério Público, que é desrespeitado pela falta de menção, nada disso teria acontecido.”
Tarcísio, por sua vez, defendeu uma atuação conjunta entre diferentes instituições para enfrentar o problema.
“A solução da Cracolândia passa pela união de todos, é um problema de todos”, declarou.
Bolsonaro, Lula e alianças políticas
O debate também foi marcado pela presença dos principais grupos políticos nacionais que apoiam os dois candidatos. Tarcísio representa o campo ligado ao bolsonarismo, enquanto Haddad integra a base política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em uma das discussões, Tarcísio afirmou não ter qualquer constrangimento em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro e destacou a gratidão pelo apoio recebido durante sua trajetória política.
“Eu não tenho vergonha não, vou ter sempre gratidão ao Bolsonaro”, disse. “É uma pessoa [Bolsonaro] que estendeu a mão, uma pessoa que pegou um técnico e transformou esse técnico em ministro”
Haddad, em outros momentos, cobrou do governador reconhecimento pela participação do governo federal em projetos realizados em São Paulo, citando como exemplos o túnel Santos-Guarujá e a situação da Favela do Moinho.
“Você agradeceu o governo federal? Você agradeceu os 180 mil que a Fazenda liberou?”, questionou.
O candidato do PT afirmou que Tarcísio costuma destacar parcerias com governos estaduais e municipais, mas não dar o mesmo peso à participação do governo federal.
“Você sempre procura não colocar as parcerias que nós, por obrigação, fazemos”, afirmou Haddad.
Caso Master
Durante uma discussão sobre a taxa básica de juros, Haddad mencionou a Selic registrada no fim da gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central.
O ex-ministro da Fazenda também citou o caso Master, que classificou como o maior escândalo financeiro da história do Brasil ocorrido durante a gestão do economista no comando da instituição.
A discussão ocorreu no contexto das críticas de Haddad ao nível elevado dos juros.
Críticas a Ricardo Nunes
No encerramento do terceiro e último bloco, Tarcísio elogiou a administração do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e comparou a atual gestão municipal ao período em que Haddad esteve à frente da Prefeitura, entre 2013 e 2016.
“Hoje eu estou trabalhando com o prefeito Ricado Nunes, maior prefeito da história dessa cidade, tem uma aprovação enorme, é um prefeito que tá arrebentando, que tem obra em todas as periferias, que cuidou das pessoas. Aí dá pra perceber muito bem, ele foi reeleito, não perdeu para brancos e nulos na sua eleição. Sequer você foi para o segundo turno. Isso diz muito, a população rejeitou e aqui, aqui tem trabalho, aqui tem entrega”, afirmou.
Nas considerações finais, Haddad respondeu às críticas mencionando a situação financeira da capital paulista e questionando a atual administração municipal.
O candidato do PT também citou o envolvimento da Prefeitura de São Paulo com a produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, que é alvo de investigação da Polícia Civil.
“Com R$ 80 bi em caixa, com fim da dívida, o cara já está endividando a cidade em R$ 50. E ainda com um contrato aí de wi-fi para ser desviado o dinheiro para o PCC uma parte e para fazer o filme do Bolsonaro por outra”, disse Haddad em referência a Nunes.
Na sequência, o petista pediu que Tarcísio moderasse as críticas nos próximos encontros entre os candidatos.
“Vai com calma, pega leve, não abusa da retórica, porque eu não te desrespeitei e não gostaria de ser desrespeitado nos nossos próximos embates.”
