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Início Brasil

Tarcísio e Haddad se enfrentam em primeiro debate para o governo de SP, veja os principais assuntos

Por Junior Melo
10/ago/2026
Em Brasil, Eleições, Política
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Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) participaram neste domingo (09) do primeiro debate entre os candidatos ao governo de São Paulo, promovido pela TV Bandeirantes. Segurança pública, educação e a situação da Cracolândia estiveram entre os principais assuntos discutidos pelos dois candidatos.

Em um confronto marcado por críticas e troca de acusações, os dois candidatos com chapas consideradas competitivas destacaram seus respectivos padrinhos políticos e questionaram as alianças dos adversários. O debate também evidenciou a polarização nacional entre os grupos ligados ao bolsonarismo e ao lulismo.

Segurança pública

A segurança pública ocupou espaço relevante ao longo do encontro. Fernando Haddad questionou números e resultados apresentados pela atual administração estadual e defendeu o avanço do uso de tecnologia e inteligência no combate à criminalidade.

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Segundo o candidato petista, São Paulo estaria atrasado na utilização de ferramentas tecnológicas para enfrentar o crime.

“Estamos no tempo do telefone fixo em termos de inteligência artificial para combater o crime”, afirmou Haddad.

O candidato também criticou a atuação do governo estadual em relação à violência contra a mulher e aos crimes raciais.

“Estamos tendo uma epidemia de crimes contra a mulher”, declarou. “Crimes raciais estão explodindo em SP e você não tem sequer um discurso para combater isso que afeta 70% das pessoas de São Paulo.”

Tarcísio rebateu as críticas e citou medidas adotadas durante sua gestão, entre elas a ampliação das Delegacias da Mulher. O governador também defendeu os resultados alcançados pelas políticas de segurança implementadas no estado.

“A política pública está funcionando”, afirmou.

Cracolândia

A situação da Cracolândia voltou a aparecer no debate, tema recorrente nas disputas eleitorais pelo governo e pela Prefeitura de São Paulo.

Ao abordar as ações realizadas na região, Tarcísio citou a inauguração da Praça do Triunfo como uma das iniciativas de sua administração.

Questionado sobre o desempenho do programa Braços Abertos, criado durante sua gestão à frente da Prefeitura de São Paulo, Haddad afirmou que a iniciativa não tinha como finalidade combater o tráfico de drogas. Segundo ele, essa função cabe às forças de segurança.

O petista também destacou a participação do Ministério Público nas ações relacionadas à região.

“O Ministério Público foi essencial”, afirmou. “Sem o Ministério Público, que é desrespeitado pela falta de menção, nada disso teria acontecido.”

Tarcísio, por sua vez, defendeu uma atuação conjunta entre diferentes instituições para enfrentar o problema.

“A solução da Cracolândia passa pela união de todos, é um problema de todos”, declarou.

Bolsonaro, Lula e alianças políticas

O debate também foi marcado pela presença dos principais grupos políticos nacionais que apoiam os dois candidatos. Tarcísio representa o campo ligado ao bolsonarismo, enquanto Haddad integra a base política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em uma das discussões, Tarcísio afirmou não ter qualquer constrangimento em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro e destacou a gratidão pelo apoio recebido durante sua trajetória política.

“Eu não tenho vergonha não, vou ter sempre gratidão ao Bolsonaro”, disse. “É uma pessoa [Bolsonaro] que estendeu a mão, uma pessoa que pegou um técnico e transformou esse técnico em ministro”

Haddad, em outros momentos, cobrou do governador reconhecimento pela participação do governo federal em projetos realizados em São Paulo, citando como exemplos o túnel Santos-Guarujá e a situação da Favela do Moinho.

“Você agradeceu o governo federal? Você agradeceu os 180 mil que a Fazenda liberou?”, questionou.

O candidato do PT afirmou que Tarcísio costuma destacar parcerias com governos estaduais e municipais, mas não dar o mesmo peso à participação do governo federal.

“Você sempre procura não colocar as parcerias que nós, por obrigação, fazemos”, afirmou Haddad.

Caso Master

Durante uma discussão sobre a taxa básica de juros, Haddad mencionou a Selic registrada no fim da gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central.

O ex-ministro da Fazenda também citou o caso Master, que classificou como o maior escândalo financeiro da história do Brasil ocorrido durante a gestão do economista no comando da instituição.

A discussão ocorreu no contexto das críticas de Haddad ao nível elevado dos juros.

Críticas a Ricardo Nunes

No encerramento do terceiro e último bloco, Tarcísio elogiou a administração do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e comparou a atual gestão municipal ao período em que Haddad esteve à frente da Prefeitura, entre 2013 e 2016.

“Hoje eu estou trabalhando com o prefeito Ricado Nunes, maior prefeito da história dessa cidade, tem uma aprovação enorme, é um prefeito que tá arrebentando, que tem obra em todas as periferias, que cuidou das pessoas. Aí dá pra perceber muito bem, ele foi reeleito, não perdeu para brancos e nulos na sua eleição. Sequer você foi para o segundo turno. Isso diz muito, a população rejeitou e aqui, aqui tem trabalho, aqui tem entrega”, afirmou.

Nas considerações finais, Haddad respondeu às críticas mencionando a situação financeira da capital paulista e questionando a atual administração municipal.

O candidato do PT também citou o envolvimento da Prefeitura de São Paulo com a produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, que é alvo de investigação da Polícia Civil.

“Com R$ 80 bi em caixa, com fim da dívida, o cara já está endividando a cidade em R$ 50. E ainda com um contrato aí de wi-fi para ser desviado o dinheiro para o PCC uma parte e para fazer o filme do Bolsonaro por outra”, disse Haddad em referência a Nunes.

Na sequência, o petista pediu que Tarcísio moderasse as críticas nos próximos encontros entre os candidatos.

“Vai com calma, pega leve, não abusa da retórica, porque eu não te desrespeitei e não gostaria de ser desrespeitado nos nossos próximos embates.”

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