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Início Brasil

Carros chineses popularizam no Brasil tecnologias que antes eram exclusivas de veículos de luxo

Por Junior Melo
08/ago/2026
Em Brasil, Tecnologia
Foto: Reprodução/ IA

Foto: Reprodução/ IA

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Câmeras com visão 360°, reconhecimento facial, bancos com memória, comandos de voz e sistemas avançados de assistência ao motorista estão chegando a carros de preços muito inferiores aos dos tradicionais modelos premium

A chegada em massa das montadoras chinesas ao Brasil está provocando uma transformação que vai muito além dos carros elétricos e híbridos. O que começa a mudar de maneira significativa é a quantidade de tecnologia que o consumidor consegue levar para casa pagando menos.

Recursos que poucos anos atrás eram utilizados como grandes diferenciais de automóveis de luxo começaram a aparecer em veículos chineses de segmentos muito mais acessíveis.

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Câmeras panorâmicas, reconhecimento facial do motorista, bancos elétricos com memória, comandos de voz, aplicativos para controlar o veículo, atualizações de software pela internet e sistemas avançados de auxílio à condução são alguns exemplos.

A estratégia das fabricantes chinesas está mudando a régua do mercado brasileiro e pressionando concorrentes tradicionais a oferecer mais equipamentos.

Câmera de ré está ficando para trás

Um dos exemplos mais visíveis dessa transformação está nas câmeras.

Durante muitos anos, ter uma simples câmera de ré já era considerado um diferencial importante. Agora, diversos carros chineses oferecem conjuntos de câmeras capazes de mostrar praticamente todo o entorno do veículo.

São os chamados sistemas de visão 360°. Em versões mais sofisticadas, o software combina as imagens das diferentes câmeras e apresenta na central multimídia uma representação do automóvel e dos obstáculos ao seu redor.

Em alguns veículos, existem ainda sistemas conhecidos comercialmente como visão 540°, que utilizam processamento das imagens para ampliar a percepção do motorista durante determinadas manobras.

O objetivo é facilitar principalmente estacionamento e circulação em locais apertados.

E a tecnologia já não está restrita aos carros mais caros.

O BYD Dolphin Mini, um dos elétricos mais acessíveis vendidos no país, é um exemplo da quantidade de tecnologia que passou a ser oferecida em segmentos de entrada do mercado de veículos eletrificados.

Carro pode reconhecer quem está dirigindo

Outra tecnologia que chama atenção é o reconhecimento facial.

Em determinados modelos chineses, uma câmera instalada dentro do veículo consegue identificar o motorista e associar aquele usuário às configurações armazenadas no sistema.

Isso permite criar perfis individuais.

Dependendo do automóvel e da versão, preferências relacionadas à posição do banco, espelhos e outras configurações podem ser recuperadas quando determinado motorista é identificado.

O conceito é semelhante ao que já acontece com celulares e computadores: cada usuário possui seu próprio perfil.

Modelos de marcas chinesas como GWM e Jaecoo já incorporaram sistemas de identificação ou reconhecimento do motorista em veículos comercializados no Brasil.

Até pouco tempo atrás, encontrar soluções desse nível normalmente significava procurar automóveis de categorias premium.

Bancos elétricos ficaram muito mais sofisticados

Outro exemplo está nos bancos.

A regulagem elétrica já foi, por si só, símbolo de automóvel de luxo. Hoje ela aparece em uma quantidade crescente de carros chineses.

Mas a evolução não parou aí.

Dependendo do modelo, é possível encontrar memória de posição, aquecimento, ventilação e diferentes níveis de regulagem elétrica.

Quando combinados com sistemas de identificação do usuário, alguns veículos conseguem recuperar automaticamente preferências salvas para aquele motorista.

Assim, uma família que compartilha o mesmo automóvel pode ter configurações diferentes para cada condutor.

Carro virou praticamente um smartphone sobre rodas

A central multimídia também mudou completamente.

Não se trata mais apenas de uma tela para controlar o rádio ou conectar o celular.

Os novos sistemas concentram diversas funções do automóvel.

É possível controlar climatização, iluminação, câmeras, modos de condução e diferentes configurações diretamente pelas grandes telas instaladas no painel.

O comando de voz também ganhou espaço.

Em alguns modelos, basta falar para alterar a temperatura do ar-condicionado, abrir ou fechar determinadas funções e acessar recursos do veículo sem retirar as mãos do volante.

Há ainda automóveis que recebem atualizações OTA — “over the air”.

Na prática, significa que determinadas atualizações de software podem ser realizadas pela internet, de maneira semelhante ao que acontece com um smartphone.

Celular começa a substituir até a chave

Outra mudança está na forma de entrar no veículo.

Alguns modelos permitem utilizar NFC, cartões ou dispositivos compatíveis como alternativa à tradicional chave física.

Aplicativos também conseguem oferecer diferentes funções remotas, dependendo do veículo.

O motorista pode consultar informações do carro e, em determinados modelos, controlar remotamente algumas funções.

É mais um sinal de que o automóvel está deixando de ser apenas uma máquina mecânica para se transformar também em uma plataforma digital conectada.

Segurança de carros caros também desceu de categoria

Talvez uma das mudanças mais importantes esteja nos sistemas de assistência à condução.

Equipamentos antes associados principalmente aos veículos premium estão aparecendo em carros de categorias inferiores.

Entre eles estão piloto automático adaptativo, frenagem automática de emergência, alerta de colisão, monitoramento de ponto cego, assistente de permanência em faixa, câmeras panorâmicas e sistemas de monitoramento do motorista.

É importante destacar que esses recursos são sistemas de assistência e não transformam o veículo em um carro autônomo. O motorista continua responsável pela condução.

Ainda assim, a popularização dessas tecnologias representa uma mudança importante para o mercado.

BYD Dolphin Mini mostra até onde essa transformação chegou

Um dos melhores exemplos está no próprio BYD Dolphin Mini.

Lançado no Brasil em 2024 por R$ 115.800, o pequeno elétrico já chegou oferecendo itens tecnológicos pouco comuns nessa faixa de mercado.

Entre os recursos divulgados pela BYD estavam central multimídia giratória de 10,1 polegadas, conexão 4G, comandos de voz, NFC e aplicativo para controle de diferentes funções do automóvel.

Posteriormente, condições destinadas a públicos específicos de venda direta chegaram a colocar versões do modelo abaixo da barreira dos R$ 100 mil.

Independentemente da motorização elétrica, o Dolphin Mini ajuda a mostrar como mudou a relação entre preço e tecnologia.

Há poucos anos, imaginar um automóvel próximo dos R$ 100 mil oferecendo tamanho nível de conectividade seria muito mais difícil.

Chineses estão obrigando concorrentes a entregar mais

BYD, GWM, GAC, Geely, Omoda & Jaecoo e outras fabricantes chinesas passaram a disputar o mercado brasileiro com uma estratégia agressiva de equipamentos.

Isso cria uma consequência direta para as montadoras tradicionais.

O consumidor começa a comparar não apenas motor, tamanho, acabamento e consumo.

Agora também compara telas, câmeras, aplicativos, quantidade de sensores, assistentes de condução e recursos digitais.

Uma central multimídia grande, que poucos anos atrás impressionava facilmente em uma concessionária, começa a ser vista como equipamento normal.

O mesmo processo pode acontecer com câmeras 360°, bancos elétricos, comandos de voz e sistemas avançados de assistência.

Quanto maior a oferta desses equipamentos nos carros chineses, maior tende a ser a pressão para que outras fabricantes também os ofereçam.

Tecnologia de luxo está ficando popular

Isso talvez seja mais importante do que simplesmente discutir se os carros chineses são baratos ou caros.

A transformação está na relação entre aquilo que o consumidor paga e aquilo que recebe.

Tecnologias desenvolvidas inicialmente para modelos sofisticados normalmente seguem um caminho conhecido na indústria: começam nos carros de luxo, tornam-se mais baratas com o aumento da escala e, posteriormente, chegam aos veículos populares.

As fabricantes chinesas parecem estar acelerando esse processo.

O automóvel conectado, cheio de câmeras, sensores, telas e softwares, deixou de ser exclusividade de veículos que custam centenas de milhares de reais.

E, à medida que a concorrência aumenta no Brasil, uma tendência parece cada vez mais clara: o consumidor deverá exigir muito mais tecnologia pelo mesmo dinheiro

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