A Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou a convocação de uma reunião de chanceleres para discutir e repudiar a suspensão definitiva das eleições na Nicarágua, determinada pelo governo de Daniel Ortega e Rosario Murillo.
A proposta, apresentada pelos Estados Unidos, recebeu apoio de países como Argentina, Costa Rica, Panamá e Paraguai. O Brasil foi o único integrante da organização a votar contra a convocação.
Representando o governo brasileiro, a diplomata Thaís Mesquita Candia Pecoraro afirmou que a iniciativa era “prematura” e defendeu que a situação na Nicarágua seja tratada como uma crise política e de direitos humanos, e não como uma questão de segurança regional.
Durante a sessão, o diplomata norte-americano Michael Kozak acusou o governo nicaraguense de perseguir opositores, afirmando que Daniel Ortega e Rosario Murillo “encarceraram, torturaram, silenciaram e exilaram” adversários políticos.
Em resposta, o embaixador do Paraguai argumentou que a gravidade da situação ultrapassou o campo dos direitos humanos.
— A situação deixou de ser apenas uma violação de direitos humanos para se tornar um desafio à segurança hemisférica — declarou.
A reunião também contou com a participação do opositor nicaraguense Juan Sebastián Chamorro e da integrante da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Rosa María Payá, que defenderam uma resposta mais firme da comunidade internacional diante da crise política no país centro-americano.
