Familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA) são alvo da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (4). A ação busca aprofundar as investigações sobre uma suposta rede de lavagem de dinheiro ligada ao esquema de fraudes em descontos indevidos sobre aposentadorias e pensões do INSS.
Ao todo, estão sendo cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e no Maranhão. Entre os alvos da operação também está o advogado Willer Tomaz.
A Operação Sem Desconto teve início para apurar um esquema bilionário de fraudes envolvendo descontos aplicados em benefícios previdenciários e, nesta etapa, concentra esforços na identificação da origem e da movimentação dos recursos investigados.
Investigação já havia alcançado senador
O nome de Weverton Rocha passou a integrar as investigações em dezembro do ano passado, quando a Polícia Federal realizou uma fase da operação voltada a integrantes da cúpula do Ministério da Previdência, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e pessoas apontadas como responsáveis pela estrutura financeira do esquema.
Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca no gabinete político do senador, no Maranhão, e em sua residência, em Brasília.
A Polícia Federal também solicitou a prisão preventiva do parlamentar, mas o pedido foi negado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF, em decisão que acompanhou parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo a decisão, não havia elementos suficientes que demonstrassem, naquele momento, o recebimento direto de recursos ilícitos ou a liderança do senador na suposta organização criminosa.
O que aponta a investigação
Apesar de negar a prisão preventiva, a decisão judicial reproduziu trechos da investigação da Polícia Federal que apontam Weverton Rocha como um possível “sustentáculo político” do grupo investigado.
De acordo com a corporação, o senador teria utilizado sua influência política para favorecer a atuação de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores do esquema.
A investigação sustenta que Weverton Rocha atuaria como uma das lideranças políticas ligadas às atividades empresariais e financeiras atribuídas ao lobista.
Entre os elementos reunidos pela Polícia Federal está um arquivo localizado em conversas entre investigados identificado como “Grupo Senador Weverton”.
Os investigadores também levantam a hipótese de que o parlamentar pudesse ser o “beneficiário final” ou um “sócio oculto” de operações financeiras relacionadas ao grupo, por meio de terceiros, incluindo pessoas ligadas ao seu gabinete.
Outro ponto citado pela investigação envolve a utilização, pelo senador, de uma aeronave cujas cotas, segundo a PF, teriam sido adquiridas por Antônio Carlos Camilo Antunes.
Quem é o “Careca do INSS”
Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, é apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores do esquema investigado.
Segundo as apurações, ele seria responsável por articular empresas, operadores financeiros e agentes públicos para viabilizar fraudes envolvendo descontos em benefícios previdenciários.
A investigação também atribui ao grupo a utilização de empresas de fachada, mecanismos de ocultação patrimonial e operações destinadas à lavagem de dinheiro.
Nova etapa da operação
Nesta terça-feira, a Polícia Federal informou que a nova fase da Operação Sem Desconto tem como objetivo aprofundar a apuração sobre movimentações financeiras e patrimoniais que, em tese, teriam sido estruturadas para esconder a origem e o destino dos recursos investigados.
Segundo a corporação, há indícios da utilização de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com dinheiro em espécie para dificultar o rastreamento dos valores.
As investigações seguem em andamento para esclarecer a origem dos recursos, o destino dos repasses e a eventual responsabilidade individual dos investigados.
