As tarifas aplicadas pelos Estados Unidos e as barreiras comerciais adotadas pela União Europeia não impediram o avanço da indústria chinesa de tecnologias limpas. No primeiro semestre, as exportações de veículos elétricos, baterias de lítio e células solares cresceram 51,6%, alcançando US$ 118,4 bilhões e consolidando esses segmentos como um dos principais motores da economia chinesa.
Os números foram divulgados pela Administração Geral das Alfândegas da China e mostram que as chamadas “novas três” indústrias seguem ampliando sua participação na pauta de exportações do país. A estratégia faz parte dos esforços de Pequim para reduzir a dependência do setor imobiliário e fortalecer áreas consideradas estratégicas na disputa tecnológica com os países ocidentais.
Veículos elétricos lideram expansão
O maior destaque foi o setor de veículos elétricos. As exportações cresceram 75,1% no primeiro semestre, totalizando US$ 52,1 bilhões. Apenas em junho, os embarques ultrapassaram pela primeira vez a marca de um milhão de unidades.
As exportações de baterias de lítio também apresentaram forte avanço, com alta de 42,7% e receita de US$ 48,7 bilhões. Já as células solares registraram crescimento de 24%, somando US$ 16,5 bilhões no período e retomando o crescimento em junho após um ciclo de excesso de oferta e queda dos preços internacionais.
O desempenho reforça a liderança da China na cadeia global da transição energética. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o país concentra mais de 80% da capacidade mundial de fabricação de painéis solares, cerca de 70% da produção de baterias de íons de lítio e domina o processamento de minerais críticos utilizados na eletrificação da economia.
Inteligência artificial impulsiona indústria
O crescimento das exportações chinesas também foi impulsionado pelo avanço da inteligência artificial.
As vendas externas de circuitos integrados aumentaram 96,1% no primeiro semestre, enquanto as exportações de computadores cresceram 41,3%.
Analistas apontam que parte desse desempenho está relacionada à maior demanda global por equipamentos de alto valor agregado, impulsionada pelos investimentos em data centers, chips e infraestrutura voltada à inteligência artificial.
China amplia presença em novos mercados
O avanço das exportações ocorre em meio ao aumento das restrições comerciais impostas por Estados Unidos e União Europeia, que elevaram tarifas sobre veículos elétricos fabricados na China sob a alegação de concorrência desleal decorrente de subsídios concedidos por Pequim.
Em resposta, fabricantes chineses intensificaram a busca por novos mercados.
Em junho, as exportações para os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) cresceram 36,8%. As vendas para a Índia avançaram 40,8%, enquanto os embarques para países africanos registraram alta de 28%.
As exportações para os Estados Unidos continuaram crescendo, embora em ritmo mais moderado. Já os embarques destinados à União Europeia voltaram a acelerar, mesmo diante das disputas comerciais.
Brasil amplia importância para a estratégia chinesa
O Brasil também passou a desempenhar papel cada vez mais relevante na estratégia comercial da China.
Além de continuar como principal fornecedor latino-americano de soja, minério de ferro e petróleo, o mercado brasileiro tornou-se um dos principais destinos dos veículos produzidos por montadoras chinesas.
O aumento das importações de automóveis eletrificados foi impulsionado pela expansão de empresas como BYD, GWM e Geely, além da antecipação de embarques antes da elevação gradual das tarifas brasileiras sobre veículos elétricos importados.
Dados recentes indicam que o Brasil já figura entre os maiores compradores mundiais de veículos fabricados na China.
Ao mesmo tempo, a parceria comercial entre os dois países permanece em nível recorde. A China segue como principal parceiro comercial do Brasil, absorvendo cerca de um terço das exportações brasileiras e ampliando sua participação nas importações de produtos industriais e bens de maior intensidade tecnológica.
Exportações sustentam crescimento da economia chinesa
O desempenho das vendas externas reforça o papel das exportações como um dos principais pilares da economia chinesa.
Com o consumo interno ainda enfraquecido e o setor imobiliário distante dos níveis registrados antes da crise, Pequim intensificou os investimentos em manufatura de alta tecnologia para sustentar o crescimento econômico.
Analistas do Citic Securities avaliam que a competitividade da indústria chinesa deverá continuar favorecendo as exportações durante o segundo semestre. Apesar disso, alertam que as negociações comerciais com a União Europeia e a continuidade das tensões geopolíticas no Oriente Médio ainda representam riscos para o comércio internacional e para as cadeias globais de suprimentos.
