Uma aeronave pertencente ao empresário sul-mato-grossense Valdir Zorzo foi apreendida pelas autoridades da Bolívia após a retenção de aproximadamente 189 quilos de barras de ouro que seriam transportadas em um voo fretado com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
O carregamento foi interceptado no Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, após agentes identificarem possíveis irregularidades na documentação necessária para a exportação da carga.
Em comunicado divulgado no último dia 22, a Aduana Nacional da Bolívia informou que recebeu informações sobre a existência de bagagens de mão contendo ouro antes do embarque da aeronave. Durante a fiscalização, os agentes verificaram que não havia autorização de exportação registrada no sistema oficial “SUMA”, exigência prevista pela legislação aduaneira boliviana.
“Foram realizadas as averiguações para verificar se existia alguma autorização de exportação (…), sem que fosse encontrado qualquer registro no sistema ‘SUMA’”, informou a Aduana Nacional da Bolívia.
Segundo o órgão, um representante do Serviço Nacional de Registro e Controle da Comercialização de Minerais e Metais (Senarecom) foi acionado para avaliar os documentos apresentados. Após a análise, o formulário de exportação M03 foi considerado, supostamente, irregular.
Diante das inconsistências encontradas, a Aduana acionou a administradora dos aeroportos bolivianos (Naabol) e a polícia, que realizou a retenção do ouro e iniciou os procedimentos de investigação.
A Aduana Nacional afirmou ainda que todas as exportações precisam ser previamente autorizadas pelo sistema “SUMA”, conforme as normas do país, e declarou que está colaborando com as autoridades responsáveis pela apuração do caso.
A Jovem Pan informou que tenta contato com o empresário brasileiro e que o espaço permanece aberto para manifestação.
Carga teria valor de US$ 25 milhões
Segundo informações do jornal sul-mato-grossense MídiaMax, a carga apreendida foi avaliada pelas autoridades em aproximadamente US$ 25 milhões e teria como destino final Dubai.
Além da retenção do ouro, a aeronave utilizada no transporte também foi alvo de restrição. O avião, modelo PS-ZRZ, está registrado em nome de Valdir Zorzo, proprietário da empresa Dallas Alimentos, com sede em Nova Alvorada do Sul (MS).
O plano de voo autorizava o uso da aeronave para a operação. O documento aponta que o avião chegou à Bolívia em 21 de julho, após sair de Campo Grande (MS), com uma parada em Corumbá.
O piloto responsável pelo voo era Jim Clark D’Angelo Macedo, que se apresenta como comandante da empresa de Zorzo em seu perfil profissional.
As autoridades bolivianas informaram que o voo havia sido contratado por uma empresa do país. Um homem de 22 anos, identificado como Ádrian Lema Roca, foi apontado como responsável pelas quatro malas onde estavam armazenadas as barras de ouro.
Ele teve a prisão preventiva determinada por 150 dias e foi encaminhado ao presídio de Palmasola.
Outras cinco pessoas chegaram a ser detidas durante a investigação, mas foram liberadas após prestarem esclarecimentos. De acordo com a imprensa boliviana, entre elas estavam três servidores públicos ligados à alfândega, ao Senarecom e ao setor responsável pelo processamento de voos fretados no Aeroporto Internacional de Viru Viru.
O Ministério Público da Bolívia conduz a investigação por suspeitas de contrabando, comércio ilegal de recursos minerais e enriquecimento ilícito. As autoridades também apuram a possível participação de uma empresa sediada em La Paz, que teria ligação com a propriedade e a exportação do ouro.
Com informações de Jovem Pan
