O salário mínimo necessário para garantir o sustento de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 8.110,92 em junho de 2026. É o que aponta um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), elaborado com base nos dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O valor estimado é cerca de cinco vezes maior que o salário mínimo vigente no país, atualmente fixado em R$ 1.621. Segundo o Dieese, o aumento da estimativa foi impulsionado, principalmente, pela alta nos preços dos alimentos.
Em junho, a cesta básica ficou mais cara em 17 das 27 capitais brasileiras pesquisadas. As maiores elevações foram registradas em Boa Vista (3,28%), Palmas (3,01%), Rio Branco (2,20%) e Porto Alegre (2,18%).
O levantamento também mostra que São Paulo continua liderando o ranking da cesta básica mais cara do país, com custo médio de R$ 965,47. Em seguida aparecem Cuiabá, Rio de Janeiro e Florianópolis.
No Rio Grande do Norte, a situação é um pouco menos onerosa em comparação com outras capitais. Em Natal, o trabalhador que recebe um salário mínimo precisa dedicar 93 horas e 7 minutos de trabalho apenas para comprar os produtos da cesta básica. Ainda assim, o peso da alimentação no orçamento continua elevado.
Em média, o brasileiro compromete 52,02% da renda líquida somente com a compra dos alimentos considerados essenciais, evidenciando o impacto do custo de vida sobre o orçamento das famílias.
Entre os produtos que mais pressionaram os preços estão o feijão, que ficou mais caro em todas as capitais pesquisadas, além da carne bovina de primeira e do leite integral. Por outro lado, alguns itens apresentaram queda nos preços, como café, açúcar, óleo de soja e arroz, reflexo do avanço das safras em diversas regiões do país.
O estudo do Dieese utiliza como referência o que determina a Constituição Federal, segundo a qual o salário mínimo deve ser suficiente para cobrir despesas básicas de uma família com alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência. O resultado reforça o desafio enfrentado por milhões de brasileiros diante da alta do custo de vida e da inflação dos alimentos.