Os gastos da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) alcançaram, em 2026, o maior patamar para um primeiro semestre desde 2009. De janeiro a junho, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembolsou R$ 255,3 milhões em campanhas de publicidade institucional e prevê a aplicação de mais R$ 584,7 milhões em ações de comunicação ao longo do ano.
O aumento dos investimentos ocorre em um ano eleitoral e reacendeu o debate sobre o uso de recursos públicos para publicidade institucional. O volume supera os registrados no mesmo período de governos anteriores, incluindo 2022, último ano da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), quando também havia disputa pela reeleição.
De acordo com levantamento divulgado pelo Estadão, os gastos da Secom cresceram 57% em relação ao primeiro semestre de 2025, considerando a inflação. Desde o início do terceiro mandato de Lula, em 2023, os investimentos em publicidade institucional já ultrapassariam R$ 1,1 bilhão.
Entre as campanhas financiadas está a divulgação da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com renda de até R$ 5 mil mensais. Segundo os dados, a ação recebeu R$ 18,1 milhões em recursos destinados à comunicação oficial.
O aumento dos gastos motivou críticas da oposição. O Partido Liberal (PL) questionou os investimentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), argumentando que a publicidade institucional deve observar os limites estabelecidos pela legislação em período eleitoral.
Parlamentares oposicionistas também afirmam que parte dos recursos poderia ser destinada a áreas como saúde, segurança pública, educação e infraestrutura, em vez de campanhas de comunicação.
Em resposta às críticas, a Secretaria de Comunicação Social sustenta que as campanhas têm caráter informativo e são voltadas à divulgação de políticas públicas, programas governamentais e serviços oferecidos à população. O governo também afirma que todos os contratos seguem a legislação vigente e que parte dos pagamentos corresponde à execução de compromissos firmados anteriormente.
O crescimento das despesas reacendeu o debate sobre os limites entre publicidade institucional e promoção da imagem de governos em anos eleitorais. Especialistas e representantes da oposição defendem maior fiscalização sobre esse tipo de investimento para garantir transparência e o cumprimento das regras eleitorais.
Com a aproximação das eleições de 2026, a discussão sobre os gastos da Secom deve continuar entre os principais temas do debate político, envolvendo questões relacionadas ao uso de recursos públicos, comunicação governamental e fiscalização dos investimentos em publicidade oficial.
