Milei acusa governo Lula de financiar suposta campanha contra a Argentina
O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a fazer críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em meio ao aumento da tensão diplomática entre os dois países. Em entrevista concedida à rádio Mitre, o líder argentino afirmou que o governo brasileiro teria financiado uma suposta campanha contra a Argentina.
A declaração foi dada um dia após Milei participar da convenção nacional do PL, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Segundo o presidente argentino, além do Brasil, a suposta campanha teria contado com apoio do governo do México e do Partido Democrata dos Estados Unidos.
“Quem pôs mais dinheiro nesta campanha anti-Argentina… O governo do Brasil. Vinte e cinco por cento dos recursos saíram do governo do Brasil”, afirmou.
Durante a entrevista, Milei disse que essa suposta campanha ganhou força durante a Copa do Mundo de 2026 e voltou a acusar governos e setores da esquerda de tentarem enfraquecer sua gestão.
“E depois vêm me falar de ingerência”, declarou ao comentar as críticas direcionadas à sua atuação política no Brasil.
As declarações ocorrem após o governo brasileiro convocar para consultas o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, além de chamar o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos sobre falas recentes do presidente argentino.
Durante a convenção do PL realizada no sábado, Milei chamou o presidente Lula de “presidiário” e se referiu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como “lixo careca”.
Em resposta, o presidente do STF, Edson Fachin, divulgou nota classificando a declaração sobre Moraes como uma “referência desrespeitosa a magistrado da mais alta corte do país, feita em solo brasileiro”. O Partido dos Trabalhadores (PT) também publicou uma nota de repúdio às declarações.
Governo argentino defende Milei
Após a repercussão das declarações, a Casa Rosada saiu em defesa do presidente argentino.
Em comunicado divulgado neste domingo, o governo da Argentina acusou Lula de interferir na política do país ao visitar a ex-presidente Cristina Kirchner, que cumpria prisão domiciliar, durante viagem realizada em 2025.
O texto também relembra críticas feitas anteriormente por integrantes do governo brasileiro a Javier Milei e afirma que assessores ligados ao PT participaram da campanha presidencial de Sergio Massa em 2023.
A crise diplomática também repercutiu na imprensa argentina. O jornal Clarín afirmou que a relação entre Brasil e Argentina vive um dos momentos de maior tensão dos últimos anos após as declarações do presidente argentino.
Já o La Nación comparou o episódio ao impasse diplomático entre Argentina e Espanha registrado em 2024. O portal Todo Noticias avaliou que o conflito pode ultrapassar o campo político e gerar impactos nas relações institucionais entre os dois países.
