A parceria entre o Corinthians e a plataforma de conteúdo adulto Fatal Fans provocou forte reação nas redes sociais e abriu um debate sobre os limites da publicidade esportiva. O acordo, anunciado no início de julho, já motivou um abaixo-assinado com mais de 40 mil assinaturas, além de uma representação apresentada ao Ministério Público de São Paulo.
A principal crítica de opositores ao contrato é a exposição de uma marca ligada ao mercado adulto em um dos clubes de maior alcance popular do país, com grande presença de crianças e adolescentes entre seus torcedores.
A Fatal Fans pertence à Atlas Technologies, mesma empresa responsável pela Fatal Model. Apesar da ligação entre as marcas, as plataformas têm propostas diferentes: enquanto a Fatal Model funciona como um serviço de classificados de acompanhantes, a Fatal Fans oferece conteúdo adulto por assinatura, em formato semelhante ao de plataformas de criadores de conteúdo.
O contrato prevê a exposição da marca no calção da equipe profissional masculina de futebol, além dos uniformes das equipes de futsal e basquete. O valor não foi divulgado, mas o Corinthians informou que se trata do maior acordo comercial já firmado para as modalidades poliesportivas do clube.
No futebol feminino, a marca não será estampada. O espaço será ocupado pela campanha institucional “Respeita as Minas”, voltada ao combate à violência contra a mulher.
Críticas e pedido de regulamentação
Organizadores do abaixo-assinado defendem que empresas ligadas à pornografia, acompanhantes e prostituição tenham regras específicas para publicidade em uniformes esportivos, estádios e outros espaços públicos.
A argumentação é de que a exposição de marcas desse segmento pode aproximar crianças e adolescentes de conteúdos inadequados para a faixa etária.
Especialistas em direito digital e proteção da infância também levantaram preocupações sobre a possibilidade de jovens pesquisarem a marca após vê-la em transmissões esportivas, uniformes ou redes sociais.
A discussão envolve normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), regras de publicidade infantil e mecanismos de proteção para impedir o acesso de menores a plataformas destinadas exclusivamente a adultos.
Empresa afirma que não haverá divulgação de conteúdo adulto
Em nota, a Fatal Fans afirmou que o patrocínio tem caráter institucional e não prevê divulgação de conteúdo adulto durante jogos ou transmissões.
A empresa declarou que a plataforma é restrita a maiores de 18 anos, possui mecanismos de controle de acesso e que o contrato com o Corinthians inclui medidas como a ausência da marca nas categorias de base e a proibição do uso de atletas para promover conteúdos adultos.
O Corinthians, procurado para comentar a repercussão, informou que não se manifestaria sobre o caso. A representação apresentada ao Ministério Público poderá levar à abertura de investigação para avaliar os aspectos legais da parceria.