O chefe da Assessoria Especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou à CNN que uma eventual missão de funcionários do governo dos Estados Unidos para avaliar o sistema eleitoral brasileiro representaria uma interferência e um “desrespeito à soberania nacional”.
A declaração ocorreu após o Itamaraty negar pedidos de visto para dois representantes do Departamento de Estado americano que, segundo reportagem do The Washington Post, planejavam viajar ao Brasil para tratar da confiabilidade das urnas eletrônicas e do processo eleitoral.
O governo brasileiro argumenta que visitas de observadores internacionais são comuns durante eleições, mas considera diferente a presença de representantes estrangeiros com o objetivo de questionar a legitimidade do sistema de votação.
Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), em caráter reservado, também criticaram a iniciativa, classificando-a como uma tentativa de interferência externa. Eles ressaltam, porém, que o Brasil costuma receber missões internacionais para acompanhar e conhecer o funcionamento das eleições.
PT critica discurso de Javier Milei
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, também reagiu à participação do presidente argentino Javier Milei na convenção do Partido Liberal (PL) que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Em nota, o dirigente petista afirmou ser “inadmissível” que um chefe de Estado estrangeiro faça críticas aos poderes constituídos do Brasil durante uma visita oficial.
Durante o evento, Milei atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes, do STF. O argentino afirmou que Flávio Bolsonaro seria o único capaz de derrotar Lula e fez críticas ao Judiciário brasileiro ao comentar a decisão que impediu uma visita a Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
Edinho Silva afirmou que Milei “não está à altura do cargo que ocupa” e disse que o presidente argentino deveria priorizar problemas internos de seu próprio país.
O episódio amplia a tensão diplomática entre setores dos governos brasileiro e argentino, em meio à disputa política que antecede as eleições presidenciais brasileiras