O governo brasileiro voltou a criticar as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais e informou que avalia medidas diplomáticas e comerciais contra a decisão anunciada pelo governo de Donald Trump.
Após a divulgação das novas taxas, o Palácio do Planalto classificou a medida como “arbitrária e injustificada” e afirmou que pretende acionar mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, além de levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Apesar da iniciativa, integrantes do governo reconhecem que uma eventual ação na OMC teria atualmente mais efeito político do que prático. Isso ocorre porque o órgão de apelação da entidade está paralisado desde 2019, após o bloqueio de novas nomeações de juízes.
Segundo representantes da diplomacia brasileira, recorrer à organização internacional serviria principalmente para registrar a posição do país diante da decisão americana.
OMC enfrenta limitações
Criada em 1995 para estabelecer regras no comércio internacional e reduzir barreiras entre países, a OMC enfrenta dificuldades para solucionar disputas comerciais devido à paralisação de seu sistema de apelação.
Com o órgão enfraquecido, decisões sobre conflitos envolvendo tarifas podem levar mais tempo ou não produzir efeitos imediatos.
Setor produtivo pede diálogo
Entidades empresariais brasileiras defenderam cautela e rejeitaram medidas de retaliação contra os Estados Unidos.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) afirmou que o momento exige negociação e fortalecimento dos canais diplomáticos para evitar uma escalada comercial.
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) também avaliou que as tarifas prejudicam as exportações brasileiras para o mercado americano, mas destacou que medidas de reciprocidade podem aumentar as tensões e gerar impactos econômicos para empresas, trabalhadores e consumidores.
O governo brasileiro segue analisando as próximas etapas diante da decisão americana, enquanto setores produtivos defendem a retomada do diálogo entre os dois países.