A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) abriu um inquérito para investigar um esquema de tráfico de animais silvestres após a apreensão de maritacas que tiveram as penas pintadas para serem comercializadas como papagaios no Rio de Janeiro.
As aves foram resgatadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) durante uma operação realizada na última semana na Feira de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
De acordo com o Ibama, os traficantes tingiram de amarelo as penas da cabeça de três maritacas para que elas se parecessem com papagaios, espécie que costuma ter maior valor no mercado ilegal. Além da pintura, as penas das asas e da cauda dos animais foram cortadas para reforçar a aparência.
A ação contou com a participação de 21 servidores do Ibama e apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Durante a fiscalização, também foram resgatados dois canários-da-terra, um trinca-ferro, dois jabutis e um mico, todos mantidos em situação de maus-tratos e vítimas do tráfico de animais silvestres.
Três pessoas foram encaminhadas à Polícia Federal e poderão responder pelos crimes apurados durante a investigação.
Após o resgate, os animais foram levados ao Instituto Vida Livre, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde recebem atendimento veterinário e passarão por um processo de recuperação antes de uma possível reintrodução à natureza.
Em entrevista à CNN, o presidente do Instituto Vida Livre, Roched Seba, relatou que as maritacas chegaram debilitadas em razão das condições às quais foram submetidas.
“Eles chegaram assustados, desidratados, com muita fome e extremamente estressados por todos os maus-tratos envolvidos no comércio ilegal de animais silvestres”, afirmou.
Seba também destacou que a responsabilidade pelo sofrimento dos animais não recai apenas sobre os traficantes. Segundo ele, quem compra animais de origem ilegal também contribui para manter esse tipo de crime.
“São animais submetidos a maus-tratos extremos. O mais importante é entender que não são apenas os criminosos envolvidos no tráfico de animais silvestres que fazem parte desse sistema. A pessoa que compra também assume o risco de submeter o animal, que ela diz adquirir porque ama, a todo esse sofrimento”, declarou.
