O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, criticou a decisão do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, de cancelar a eleição presidencial prevista para 2027. Em publicação feita nesta terça-feira (21) na rede social X, Rubio afirmou que o governo de Donald Trump e a comunidade internacional não permanecerão passivos diante do aumento da repressão promovida pelo regime nicaraguense.
“A administração Trump e a comunidade internacional não ficarão de braços cruzados enquanto a ditadura Murillo-Ortega aprofunda a repressão em casa.”
Rubio também declarou que a Nicarágua representa uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos e afirmou que a decisão de extinguir as eleições demonstra “covardia” por parte de Ortega e temor diante da vontade da população nicaraguense.
Ortega anunciou o fim das eleições
A manifestação do secretário americano ocorreu após Daniel Ortega anunciar, no último domingo (19), que não realizará a eleição presidencial prevista para novembro de 2027.
Durante um evento em comemoração ao aniversário da Revolução Sandinista, o presidente nicaraguense afirmou que impedirá o retorno da oposição ao poder e acusou adversários de atuarem em conjunto com os Estados Unidos para desfazer as mudanças implementadas por seu governo.
OEA também condenou a decisão
A medida também foi criticada pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Albert Ramdin. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que o regime da Nicarágua “abandonou a democracia, inclusive sua aparência”, e declarou que o cancelamento das eleições retira da população o direito de escolher seus governantes.
Segundo Ramdin, a OEA continuará defendendo os direitos democráticos do povo nicaraguense.
Repressão e mudanças constitucionais
Nos últimos anos, o governo de Daniel Ortega intensificou a repressão contra opositores, jornalistas e integrantes da Igreja Católica. Entre os alvos estão Cristiana Chamorro, filha da ex-presidente Violeta Barrios de Chamorro, e Dora María Téllez, ex-integrante da Revolução Sandinista que rompeu com o regime.
Em 2025, a Nicarágua aprovou uma nova Constituição que ampliou o mandato presidencial de cinco para seis anos, concentrou mais poderes no Executivo e criou o cargo de copresidente, ocupado por Rosario Murillo, esposa de Ortega.