O Super El Niño continua ganhando força, e as novas projeções reforçam um cenário que preocupa meteorologistas em todo o mundo. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o fenômeno pode se tornar o mais intenso desde o início dos registros, em 1950.
As estimativas apontam que há 81% de probabilidade de o El Niño atingir a categoria “muito forte” no último trimestre deste ano. Caso isso se confirme, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico poderá superar 3°C acima da média, patamar associado aos eventos mais extremos já registrados.
Além disso, a NOAA estima 97% de chance de o fenômeno continuar influenciando o clima até o primeiro semestre de 2027.
Quando o Super El Niño deve atingir o pico?
Segundo o Centro de Previsão Climática (CPC), da NOAA, o pico de intensidade está previsto para ocorrer entre outubro e dezembro de 2026, período em que o fenômeno deverá alcançar a classificação de “muito forte”.
A atualização mais recente da chamada pluma de previsão do Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade (IRI), da Universidade de Columbia, divulgada nesta segunda-feira (20), reuniu simulações de 24 modelos climáticos e reforçou a expectativa de um Super El Niño de intensidade excepcional.
Os modelos passaram a incorporar as temperaturas recordes observadas no Oceano Pacífico ao longo de julho, aumentando a confiança de que o aquecimento continuará se intensificando nos próximos meses.
Na rodada anterior das previsões, o pico estimado era de 2,6°C de anomalia na temperatura da superfície do mar. Agora, a projeção subiu para cerca de 3,1°C, meio grau acima da estimativa anterior.
Se esse cenário se confirmar, o evento poderá superar os episódios históricos registrados em 1982, 1997 e 2015, considerados alguns dos El Niños mais intensos das últimas décadas, tornando-se o mais forte desde o início dos registros modernos.
Oceano Pacífico já registra temperaturas recordes
Os dados mais recentes do Centro de Previsão Climática da NOAA mostram que a região conhecida como Niño 3.4, principal área utilizada para monitorar o fenômeno, registrou anomalia de 2,1°C na semana encerrada em 15 de julho.
Foi a segunda semana consecutiva com temperaturas acima de 2°C em relação à média histórica, nível normalmente associado aos episódios mais intensos de El Niño.
Embora esse valor ainda não seja suficiente para classificar oficialmente o fenômeno como “muito forte”, já que essa definição considera a média de três meses, especialistas afirmam que o oceano já apresenta condições compatíveis com grandes eventos históricos.
Outro fator que chama atenção é a presença de uma extensa massa de água quente abaixo da superfície, com anomalias superiores a 6°C em algumas áreas, indicando que ainda há energia suficiente para manter o aquecimento do Pacífico nos próximos meses.
Brasil já sente os efeitos do fenômeno
Os impactos do El Niño já começam a ser percebidos em diferentes regiões do Brasil. No Norte do país, o calor intenso tem surpreendido até moradores acostumados com temperaturas elevadas.
Em Belém (PA), autoridades municipais, estaduais e federais elaboram um protocolo para enfrentar o calor extremo. Entre as medidas previstas estão a instalação de pontos de hidratação em diferentes áreas da cidade e o plantio de um milhão de árvores, com o objetivo de ampliar as áreas de sombra e reduzir os efeitos das altas temperaturas.
Segundo especialistas, os impactos do El Niño variam conforme a região. Enquanto algumas áreas podem registrar ondas de calor mais frequentes, outras tendem a enfrentar alterações no regime de chuvas, aumentando o risco de eventos climáticos extremos.