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Início Brasil

PM de SP é citada em investigação ligada a operadores do PCC

Por Junior Melo
21/jul/2026
Em Brasil, Policial
Alex Fernandes/Governo de SP

Alex Fernandes/Governo de SP

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A investigação deflagrada nesta terça-feira (21) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), como desdobramento das operações Recidere e Bazaar, revelou uma suposta rede de relações entre investigados por crimes financeiros e oficiais de alta patente da Polícia Militar de São Paulo.

Segundo os relatórios da Polícia Judiciária que integram o inquérito, áudios, mensagens e planilhas financeiras apreendidos apontam a proximidade entre empresários investigados e integrantes do alto comando da corporação, além do registro de repasses de dinheiro em espécie.

De acordo com a investigação, os empresários Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza mantinham uma relação próxima com oficiais da PM, utilizada, segundo os investigadores, para facilitar acesso a autoridades da corporação e obter apoio estratégico.

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As mensagens analisadas mostram conversas sobre a influência e a facilidade de contato com comandantes e diretores da Polícia Militar.

Os policiais militares citados não são alvos da operação desta terça-feira e não foram denunciados nem acusados formalmente no caso.

Coronéis aparecem em documentos

Entre os nomes mencionados na investigação estão o coronel PM Pereira Martins, apontado nos autos como diretor de ensino da corporação, com registros de tratativas diretas e pedidos de abertura de canais particulares feitos por Cléber Azevedo em setembro de 2023.

Também é citado o coronel José Augusto Coutinho, identificado como comandante da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e do Comando de Policiamento de Choque durante parte do período investigado.

Outro nome recorrente é o do coronel identificado como “Patrício”, que aparece em planilhas de controle financeiro relacionadas ao gerenciamento de despesas e supostas vantagens indevidas.

José Augusto Coutinho ocupou o cargo de comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo até abril deste ano, quando deixou a função após ser citado em um inquérito da Corregedoria que investigava a atuação de policiais na escolta de uma empresa de ônibus ligada ao PCC.

Segundo a reportagem, o g1 tenta contato com a defesa do coronel José Augusto Coutinho.

Planilhas registravam “ticketagem”

Os investigadores identificaram planilhas financeiras que detalhariam a movimentação de recursos ilícitos. Nos documentos, os repasses eram classificados como “ticketagem”.

Segundo um dos relatórios:

“Em uma planilha datada de dezembro de 2019, enviada por uma colaboradora identificada com o prenome ‘Ellen’ a Cléber Azevedo, há o registro explícito do pagamento de R$ 1.000,00 direcionado ao Coronel Patrício, demonstrando a injeção de recursos em espécie no esquema.”

Para o Gaeco, os pagamentos registrados e a proximidade entre os investigados e oficiais da Polícia Militar indicam a existência de um suposto canal estruturado de influência.

Os investigadores afirmam que o uso dos nomes de oficiais nas planilhas reforça a suspeita de que o grupo buscava dificultar fiscalizações e obter vantagens por meio de intermediários e contatos privilegiados dentro da corporação.

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