A estatal chinesa China Communications Construction Company (CCCC), responsável por uma das maiores obras subaquáticas do mundo, vai participar da construção do túnel imerso entre Santos e Guarujá, um projeto bilionário que promete transformar a mobilidade na Baixada Santista e entrar para a história da engenharia brasileira.
Quem é a CCCC e qual será seu papel no túnel Santos-Guarujá?
A China Communications Construction Company (CCCC) é uma das maiores estatais de infraestrutura do mundo, com atuação em mais de 150 países. A empresa ganhou projeção global ao executar projetos como a ponte-túnel Hong Kong-Zhuhai-Macau, considerada uma das obras subaquáticas mais complexas já construídas.
No projeto brasileiro, a participação da CCCC ocorre de forma indireta, por meio da construtora portuguesa Mota-Engil, que venceu o leilão da concessão. A estatal chinesa possui cerca de 32% de participação acionária na empresa europeia.
Como será o túnel imerso entre Santos e Guarujá?
O túnel Santos-Guarujá será a primeira travessia imersa do tipo no Brasil e terá cerca de 1,5 km de extensão total, sendo 870 metros sob o canal do Porto de Santos. O projeto faz parte do novo PAC e tem conclusão prevista para 2030.
A estrutura foi projetada para atender múltiplos modais de transporte, incluindo veículos leves e pesados, além de opções de mobilidade urbana, o que amplia seu impacto regional. Entre os principais elementos previstos no projeto estão:
- Travessia para carros, motos, ônibus e caminhões
- Faixa exclusiva para VLT
- Espaço para ciclistas e pedestres
- Integração direta entre Santos e Guarujá em poucos minutos
Por que o túnel é estratégico para o Porto de Santos?
O túnel é considerado essencial para o Brasil porque conecta diretamente duas cidades separadas pelo canal do Porto de Santos, responsável por cerca de 30% do comércio exterior brasileiro. Hoje, a travessia depende de balsas ou longos trajetos rodoviários.
Essa limitação gera congestionamentos frequentes e afeta tanto o transporte de cargas quanto a mobilidade diária de milhares de pessoas na região metropolitana. Os principais impactos esperados com a nova ligação são:
- Redução do tempo de travessia de até 1 hora para cerca de 2 minutos
- Fim de parte dos gargalos logísticos do porto
- Integração mais rápida da Baixada Santista, com cerca de 2 milhões de habitantes
- Criação de milhares de empregos durante a obra
- Alternativa fixa e mais eficiente à atual travessia por balsa
Quanto vai custar e quais são as tarifas previstas?
O investimento total do túnel está estimado em R$ 6,8 bilhões, sendo parte financiada por União e governo de São Paulo e o restante pela concessionária privada responsável pela obra. Veja os detalhes:
Quando a obra começa e quais etapas ainda faltam?
Apesar da concessão já definida, o projeto ainda passa por etapas preparatórias antes do início das obras. A previsão é que os trabalhos de campo comecem em 2026, após a estruturação dos canteiros e áreas de montagem.
A licença ambiental prévia já foi emitida pela Cetesb, e a fase de construção ocorrerá ao longo dos anos seguintes, com conclusão estimada para 2030, dentro de um contrato de concessão de 30 anos. Após esse período inicial, a gestão do túnel será transferida para a Autoridade Portuária de Santos (APS), consolidando a operação como parte permanente da infraestrutura regional.