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A cidade que guarda 60% do Pantanal e realiza a única festa junina do Brasil que banha o santo no rio

Por Maura Pereira
21/mar/2026
Em Geral
A cidade que guarda 60% do Pantanal e realiza a única festa junina do Brasil que banha o santo no rio

Corumbá nasceu como ponto estratégico militar às margens do Paraguai e viveu seu auge comercial no final do século XIX. / Imagem ilustrativa

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Na virada do dia 23 para 24 de junho, mais de 100 famílias descem a Ladeira Cunha e Cruz carregando andores iluminados até a margem do Rio Paraguai. Ali, a imagem de São João é mergulhada nas águas ao som de cururu e viola-de-cocho. O Banho de São João, reconhecido pelo IPHAN como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em 2021, não se repete em nenhum outro lugar do país. Essa é Corumbá, a Capital do Pantanal, chamada de Cidade Branca pelo solo calcário que clareia ruas e construções no interior do Mato Grosso do Sul.

Do porto fluvial ao Pantanal que bate na porta

Corumbá nasceu como ponto estratégico militar às margens do Paraguai e viveu seu auge comercial no final do século XIX, quando o porto era um dos maiores da América do Sul. Casarões neoclássicos erguidos por comerciantes europeus ainda decoram o Porto Geral, conjunto tombado pelo IPHAN desde 1993. Quando a ferrovia deslocou o comércio para Campo Grande no início do século XX, a cidade ficou com o que nenhuma outra tinha: o Pantanal inteiro batendo na porta.

O município abriga cerca de 60% do Pantanal sul-mato-grossense. O bioma é Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera pela UNESCO desde 2000. Na seca, a região concentra a maior densidade de onças-pintadas por área do mundo.

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Essa cidade do Pantanal é um zoológico a céu aberto que encanta com natureza, sossego e beleza colonial
A partir de Corumbá é possível visitar o histórico Forte Coimbra, fazer passeios de barco pelo Rio Paraguai e combinar cultura pantaneira com observação de fauna e flora únicas.​ // Créditos: Wikipédia

Qualidade de vida na fronteira com a Bolívia

Corumbá faz fronteira terrestre com a Bolívia e mantém proximidade com o Paraguai. Essa posição moldou uma identidade única: nas feiras, sotaques se misturam, e a saltenha boliviana divide espaço com o quebra-torto pantaneiro. A cidade conta com aeroporto próprio e é classificada pelo Ministério do Turismo como um dos 65 destinos indutores do turismo brasileiro, recebendo em média 214 mil visitantes por ano.

A infraestrutura urbana atende o cotidiano dos cerca de 112 mil habitantes. O Forte do Junqueira, construído em 1871 com calcário local, e a Igreja de Nossa Senhora da Candelária, tombada como patrimônio estadual em 2021, são parte da paisagem do dia a dia. O Cristo Rei do Pantanal, no topo do Morro do Cruzeiro, oferece vista panorâmica de 360° da cidade e da planície alagada.

Corumbá, a “Capital do Pantanal”, é um destino fascinante que une a exuberância natural do Mato Grosso do Sul a uma rica trajetória histórica como um dos portos fluviais mais importantes do mundo. O vídeo é do canal Cidades & Cia, que conta com cerca de 175 mil inscritos, e destaca o Porto Geral, a influência da cultura fronteiriça e o papel estratégico da cidade no ecoturismo brasileiro:

O que visitar entre casarões e jacarés?

Corumbá divide seu roteiro entre a exploração urbana e a imersão no Pantanal. As atrações atendem de fotógrafos de natureza a interessados em história colonial.

  • Casario do Porto Geral: conjunto neoclássico à beira do rio, com bares, galerias de artesanato e o pôr do sol mais fotografado da cidade.
  • Museu de História do Pantanal (Muhpan): instalado em prédio de 1876, conta a trajetória do bioma e de seus habitantes. Entrada gratuita.
  • Memorial do Homem Pantaneiro: na Casa Vasquez & Filhos, preserva a cultura do peão, das comitivas de gado e da vida ribeirinha.
  • Estrada Parque Pantanal: mais de 100 km de terra que cortam o bioma como um safári a céu aberto, com jacarés, tuiuiús e capivaras à beira da estrada.
  • Barcos-hotel: embarcações que partem do Porto Geral para expedições de dias dentro do Pantanal, com pesca esportiva (fora da piracema) e focagem noturna de animais.

Pintado na brasa e saltenha na esquina

A mesa corumbaense carrega as marcas de quem vive entre o rio, o Pantanal e a Bolívia. Os peixes do Paraguai são protagonistas o ano inteiro, respeitada a piracema (novembro a fevereiro).

  • Pintado a urucum: filé de peixe empanado com molho de urucum, leite de coco e queijo gratinado. Receita criada em Corumbá, servida borbulhante nas casas de beira-rio.
  • Saltenha: pastel assado de origem boliviana, recheado com frango, batata e temperos levemente adocicados. O lanche de rua por excelência na cidade.
  • Quebra-torto: arroz carreteiro com ovos e farofa, o café da manhã do pantaneiro que acorda antes do sol.
  • Pacu e dourado na brasa: peixes frescos, servidos inteiros ou em postas, acompanhados de mandioca e vinagrete.
Essa cidade do Pantanal é um zoológico a céu aberto que encanta com natureza, sossego e beleza colonial
Corumbá oferece pores do sol sobre o Rio Paraguai, casario histórico colorido e saídas rápidas para safáris fotográficos, navegações e imersões na natureza alagada.​ // Créditos: Wikipédia

Quando a água define o que você vai ver?

O Pantanal vive sob o ritmo das cheias e vazantes. A época da visita define completamente a paisagem.

Sazonalidade e condições climáticas no Pantanal
Guia detalhado para planejar sua expedição entre o ciclo das águas, safári de fauna e festas tradicionais
Período
Meses
Temperatura
Chuva
O que fazer
🌊 Cheia
Dez-Mar
24-35°C
Alta
Passeios de barco e contemplação da exuberante paisagem alagada.
⛵ Vazante
Abr-Jun
18-30°C
Média
Banho de São João (Junho) e início das trilhas por terra firme.
🐆 Seca
Jul-Set
15-33°C
Baixa
Melhor época para avistar onças, fauna diversa e pesca esportiva.
🐦 Transição
Out-Nov
22-35°C
Média
Observar a revoada de pássaros e o início da piracema.
Dica: A Seca é o período “de ouro” para fotógrafos de natureza, pois a escassez de água concentra os animais nas margens dos rios.

Temperaturas aproximadas. O calor é intenso quase o ano inteiro. Hidratação e proteção solar são indispensáveis.

Como chegar à Capital do Pantanal?

Corumbá fica a 420 km de Campo Grande pela BR-262, cerca de 6h de carro. O Aeroporto Internacional de Corumbá recebe voos com conexão na capital. Para quem vem de Bonito, são aproximadamente 350 km. Dentro do Pantanal, veículo 4×4 ou barco é essencial, especialmente na época das cheias.

Onde o rio lava a alma e a planície não tem fim

Corumbá é a cidade onde o Brasil encontra a Bolívia, o calcário clareia as ruas e o Pantanal começa na saída da zona urbana. Poucos lugares do país oferecem, no mesmo destino, um casario colonial tombado, a maior planície alagável do planeta e uma festa junina em que o santo toma banho de rio.

Você precisa chegar ao Porto Geral ao entardecer, ver o Paraguai virar espelho cor de fogo e entender por que Corumbá é chamada de Cidade Branca, mas tem a alma inteira pintada pelas cores do Pantanal.

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